Dos 524 tornados registrados no Brasil desde 2018, 227 ocorreram nos três estados da Região Sul. O Rio Grande do Sul teve 93 ocorrências, seguido pelo Paraná, com 81, e por Santa Catarina, com 53. Juntos, os estados concentram cerca de 43% dos registros do país no período analisado.
Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, aparece na quinta posição entre os municípios brasileiros com mais ocorrências. A cidade teve oito registros entre 2018 e agosto de 2026, o mesmo número de Horizontina (RS) e Ananindeua (PA).
No topo da relação estão Sarandi (RS), Guaíba (RS) e Dourados (MS), com nove registros cada. Também aparecem na lista Corbélia (PR), Cerqueira César (SP), Salvador (BA) e Guarapuava (PR).
Registros no Brasil
O levantamento do Prevots foi elaborado com a participação de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), da Universidade de Oklahoma, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM). O país não possui um banco de dados oficial específico para reunir todos os tornados registrados em seu território.
Entre os 524 casos, 304 foram associados a trombas d’água ou terrestres, 78 a linhas de instabilidade e 142 a supercélulas. As trombas representam a maior parcela dos registros. Já as supercélulas, que são tempestades com rotação organizada, têm maior potencial para produzir tornados fortes e duradouros.
No Sul, 51% dos tornados foram associados a supercélulas. A região reúne condições atmosféricas que podem favorecer esses fenômenos, como o transporte de calor e umidade da Amazônia e o avanço de massas de ar frio e seco vindas da Argentina. O encontro dessas massas pode provocar mudanças na velocidade e na direção dos ventos conforme a altitude, processo conhecido como cisalhamento do vento.
Como os casos são identificados
O Prevots reúne relatos de moradores, notícias e publicações em redes sociais que indiquem a ocorrência de um possível tornado. Os pesquisadores também analisam imagens de satélite ambiental, que podem mostrar marcas deixadas na vegetação e ajudar a verificar se houve uma trajetória compatível com o fenômeno.
A identificação pode ser mais difícil quando o episódio ocorre rapidamente ou em áreas rurais sem equipamentos meteorológicos próximos. Meteorologistas conseguem reconhecer condições favoráveis à formação de tempestades capazes de gerar tornados, mas não conseguem indicar com muitas horas de antecedência o ponto exato e o horário em que o fenômeno tocará o solo.
Por isso, em situações de tempestades severas, o acompanhamento em tempo real e os alertas meteorológicos são importantes. Os oito registros de Xanxerê não indicam que todos tiveram a mesma intensidade: os tornados contabilizados no país apresentam características diferentes entre si.







