Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Aquecimento pode alterar circulação e oxigenação do Oceano Pacífico

Modelos indicam que águas subtropicais podem envelhecer e perder oxigênio, enquanto regiões tropicais tendem a ficar relativamente mais jovens.

Aquecimento pode alterar circulação e oxigenação do Oceano Pacífico
Foto: Damsea/Shutterstock

O aquecimento do planeta pode mudar a circulação do Oceano Pacífico e alterar a distribuição de oxigênio em diferentes profundidades. A conclusão é de um estudo publicado na revista AGU Advances, com base em modelos de circulação oceânica.

A pesquisa aponta que águas do Pacífico subtropical, atualmente abastecidas por massas relativamente jovens, podem ficar mais antigas e perder oxigênio. Nas regiões tropicais, o efeito tende a ser diferente: as águas podem se tornar relativamente mais jovens porque o aquecimento reduz a subida de águas profundas, que são antigas e pobres em oxigênio.

O que significa a idade da água

No estudo, a idade não indica há quanto tempo existem as moléculas. O conceito corresponde ao período em que uma massa de água permanece sem contato com a atmosfera. Ao se aproximar da superfície, a água pode absorver oxigênio e depois transportá-lo para regiões mais profundas.

A água considerada jovem esteve recentemente próxima da superfície e foi ventilada pela atmosfera. Já a água velha passou mais tempo isolada enquanto circulava em profundidade. Nesse intervalo, organismos marinhos consomem parte do oxigênio dissolvido, reduzindo a concentração do gás.

Os pesquisadores analisaram principalmente a termoclina do Pacífico, camada localizada aproximadamente entre 200 e mil metros de profundidade. É nessa área que o contraste entre as regiões aparece com mais força.

Como o aquecimento muda a circulação

O aumento da temperatura na superfície intensifica a estratificação do oceano, ampliando a diferença entre as águas superiores e profundas. Com isso, a circulação entre as camadas fica mais difícil.

No Pacífico subtropical, a circulação tende a ficar mais rasa. A água que afunda nessas áreas passa a ventilar uma camada menor da termoclina, diminuindo o transporte de água jovem e rica em oxigênio para partes profundas. O resultado é o envelhecimento dessas águas e a perda de oxigênio.

Nas regiões tropicais, a redução da subida de águas profundas diminui a chegada de massas antigas e pobres em oxigênio à superfície. Por isso, essas áreas podem ficar relativamente mais jovens e ter uma perda de oxigênio menor que a observada nas regiões subtropicais.

Para chegar aos resultados, os autores simularam diferentes cenários de aquecimento do Oceano Pacífico. Alguns aumentavam a temperatura em todo o oceano; outros aqueciam regiões consideradas importantes para a circulação. Depois, os resultados foram comparados com dados de 14 modelos climáticos e medições de oxigênio feitas no oceano.

O oxigênio dissolvido é essencial para a vida marinha. Mudanças na circulação e o aumento da temperatura podem alterar os ambientes, reduzir o habitat de espécies adaptadas a determinadas condições ou levar esses animais a migrar para outras regiões. Os pesquisadores defendem novas análises para compreender os impactos da possível mudança na circulação e a capacidade de adaptação da vida marinha.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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