Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Astrônomos buscam apoio da ONU para limitar impactos de satélites no céu

Grupo liderado pelo Outer Space Institute quer uma opinião da Corte Internacional de Justiça sobre os efeitos das atividades orbitais.

Astrônomos buscam apoio da ONU para limitar impactos de satélites no céu
Foto: ipopba/iStock

Um grupo de astrônomos pretende levar à ONU o debate sobre o aumento de satélites na órbita da Terra e seus impactos no céu noturno. A iniciativa busca uma opinião consultiva da Corte Internacional de Justiça (CIJ) sobre as responsabilidades dos países que autorizam lançamentos e atividades orbitais.

A mobilização é liderada pelo Outer Space Institute e ganhou força com os planos de empresas como SpaceX, Google e Starcloud para formar grandes redes de satélites voltadas a serviços de internet e computação.

Brilho no céu e observações prejudicadas

A campanha começou em 2023, em resposta aos efeitos de megaconstelações de internet, como a Starlink. Nos últimos 12 meses, a preocupação aumentou com projetos de centros de dados espaciais anunciados por empresas de tecnologia e do setor aeroespacial.

Em julho, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) autorizou a Reflect Orbital a lançar o Eärendil-1, um satélite experimental equipado com espelhos para direcionar luz solar a usinas fotovoltaicas depois do anoitecer. O projeto pode evoluir para uma constelação com dezenas de milhares de espelhos.

Pesquisadores críticos à proposta afirmam que uma rede desse tamanho poderia aumentar o brilho do céu a ponto de inviabilizar observações astronômicas em várias partes do mundo. Entre as preocupações também estão o crescimento da quantidade de objetos em órbita, a poluição luminosa e a necessidade de esclarecer quais responsabilidades cabem aos países que autorizam lançamentos. Mudanças nas regras de licenciamento de satélites também são consideradas.

Por que recorrer à Corte Internacional de Justiça

Os astrônomos tentaram discutir o tema no Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (COPUOS), mas uma proposta para criar um grupo especializado em poluição luminosa não foi aprovada por unanimidade.

Aaron Boley, astrônomo da Universidade da Colúmbia Britânica e codiretor do Outer Space Institute, afirmou que o funcionamento por consenso dificulta a aprovação de iniciativas no comitê. “O consenso é muito difícil de alcançar e, por isso, muitas iniciativas acabam paralisadas”, disse.

Na Assembleia Geral da ONU, um único país poderia apresentar uma resolução para pedir a opinião consultiva da CIJ. A proposta precisaria do apoio da maioria simples dos Estados presentes e votantes.

O parecer não teria força jurídica obrigatória, mas poderia ser considerado em disputas e processos nacionais. Robin J. Frank, especialista em direito e política internacional e ex-assessora jurídica da NASA, afirmou que o uso da opinião consultiva em ações judiciais domésticas teria peso substancial.

Referência de Vanuatu

A estratégia tem como referência Vanuatu. Em 2023, o país obteve apoio internacional para solicitar à CIJ uma opinião sobre as obrigações dos Estados diante das mudanças climáticas. O tribunal publicou o parecer em julho de 2025.

Desde então, grupos ambientais usaram o entendimento em processos locais. Na França, organizações recorreram ao parecer em uma ação que pedia à TotalEnergies a divulgação dos riscos climáticos ligados à produção de petróleo e gás.

Para os astrônomos, um procedimento semelhante poderia ajudar a interpretar o Artigo 9 do Tratado do Espaço Sideral de 1967. A regra estabelece que os países devem considerar os interesses e as atividades de outras nações ao explorar o espaço.

A CIJ não definiria quantos satélites cada país poderia lançar. A expectativa é obter uma interpretação sobre como os Estados devem considerar os impactos de suas atividades orbitais.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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