Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Cidade lunar com um milhão de habitantes teria água por pouco mais de um século

Estudo aponta que cenário mais provável reduziria a duração de uma cidade lunar desse porte a apenas alguns anos.

Cidade lunar com um milhão de habitantes teria água por pouco mais de um século
Foto: Alones Creative/iStock

Uma cidade na Lua com um milhão de habitantes poderia ficar sem água em pouco mais de um século, mesmo em um cenário extremamente otimista. A estimativa considera um bilhão de toneladas do recurso disponível no satélite e reaproveitamento de 98% da água utilizada.

O estudo foi realizado pelo Dr. Martin Elvis e pelo Dr. Jonathan McDowell. Na projeção mais favorável, o volume de água seria equivalente a aproximadamente 400 mil piscinas olímpicas ou à quantidade que passa pelas Cataratas do Niágara em cerca de sete minutos.

A taxa de reaproveitamento considerada é semelhante à já alcançada na Estação Espacial Internacional (ISS). Com essas condições, uma população lunar de um milhão de pessoas conseguiria manter o abastecimento por pouco mais de 100 anos antes de esgotar o recurso.

Estimativa mais provável reduz a duração

A quantidade mais provável de água disponível na Lua seria 30 vezes menor do que a usada no cenário otimista. Nesse caso, uma cidade com um milhão de habitantes teria uma vida útil de apenas alguns anos antes de ficar sem água.

Comunidades menores poderiam durar mais. Uma vila com cerca de mil habitantes ou uma cidade com dez mil pessoas teria condições de sobreviver por séculos, embora também enfrentasse o esgotamento do recurso com o tempo.

Entre as alternativas avaliadas para evitar esse problema estão aumentar a eficiência no uso da água, procurar reservas em regiões mais profundas da superfície lunar e buscar água em asteroides e cometas. O desenvolvimento de tecnologias de reaproveitamento também poderia beneficiar o combate a períodos de seca na Terra.

Produção de alimentos é outro desafio

A água não seria a única dificuldade para estabelecer uma população permanente na Lua. Kelly e Zach Weinersmith analisaram, em um livro sobre os desafios da colonização espacial, obstáculos econômicos, legais e técnicos para tornar assentamentos fora da Terra viáveis.

A produção de alimentos exigiria carbono, elemento que praticamente não tem fontes facilmente acessíveis na Lua. De acordo com Zach Weinersmith, os únicos locais com alta concentração de carbono no satélite seriam os resíduos deixados pelos astronautas das missões Apollo, como fezes, urina e vômito. Ainda assim, a quantidade seria muito pequena.

“Você não pode simplesmente produzir mais carbono no local. Ele é produzido nas estrelas, então isso é um problema”, explicou Weinersmith.

O pesquisador também afirmou que a água lunar é um recurso finito. “As pessoas costumam falar sobre quanta água existe na Lua. E não existe tanta água assim”, disse.

O estudo foi publicado na revista Frontiers in Space Technologies. A pesquisa ressalta que os obstáculos precisam ser analisados antes da implementação de projetos de cidades espaciais.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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