Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Composição do 3I/ATLAS indica formação em região fria e estrela pobre em metais

Análises do nitrogênio, da água e dos isótopos do cometa apontam para uma origem distante e de baixa temperatura.

Composição do 3I/ATLAS indica formação em região fria e estrela pobre em metais

Os dados reunidos sobre o cometa interestelar 3I/ATLAS indicam que ele se formou em uma região muito fria e ao redor de uma estrela com baixa presença de metais. O objeto veio de fora do Sistema Solar e agora se afasta, o que torna sua observação cada vez mais difícil.

A análise da água do cometa encontrou uma proporção atípica entre deutério e prótio, dois isótopos do hidrogênio. A quantidade elevada de deutério é compatível com uma formação em baixa temperatura. Os pesquisadores também identificaram uma relação incomum entre os isótopos carbono-12 e carbono-13.

Indícios na composição

Esse segundo indicador é compatível com uma estrela de baixa metalicidade, expressão usada para descrever astros com poucos elementos mais pesados que hidrogênio e hélio. Os modelos analisados apontam para uma estrela com cerca de metade da metalicidade do Sol.

Observações do telescópio William Herschel, na Espanha, identificaram alta concentração de nitrogênio na coma, a nuvem de gás que envolve o núcleo do cometa. A proporção entre nitrogênio molecular e monóxido de carbono permite estimar a temperatura de formação do objeto.

Os cálculos indicam que o 3I/ATLAS surgiu sob temperaturas próximas de -240 °C. No artigo publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, os pesquisadores afirmam que a relação entre N₂ e CO pode ser usada para calcular essa temperatura nos cometas.

A pesquisadora Lea Ferellec, da Northumbria University, disse que a concentração de nitrogênio permite estudar material formado fora do Sistema Solar e reforça a hipótese de uma origem em condições extremamente frias, longe da estrela original.

Observação continua

O cometa está a 1,77 bilhão de quilômetros da Terra e se desloca a 209 mil km/h. Telescópios terrestres e espaciais, além de sondas a caminho de Júpiter e robôs em Marte, contribuíram para a coleta dos dados.

As informações disponíveis apontam que o objeto tem muito nitrogênio, água com elevada quantidade de deutério e possível origem junto a uma estrela pobre em elementos pesados. O processamento dos dados continua enquanto o cometa se distancia.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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