A principal dificuldade de uma missão ao cometa Halley não seria apenas alcançá-lo, mas manter uma espaçonave próxima dele durante sua passagem pelo Sistema Solar. Um estudo de pesquisadores da Khalifa University e colaboradores propõe combinar a gravidade de Júpiter e Saturno com um sistema de propulsão de baixo empuxo para tentar realizar esse acompanhamento.
O Halley tem uma órbita retrógrada, que segue em sentido contrário ao movimento da maioria dos planetas. Sua inclinação é de cerca de 162 graus, característica que torna difícil fazer uma nave atingir uma trajetória e uma velocidade semelhantes às do cometa.
A próxima visita do Halley está prevista para 2061. A proposta considera que a espaçonave chegue antes do ponto de maior aproximação do cometa ao Sol, quando ele ainda estaria além da órbita de Marte. Assim, seria possível observar as mudanças em sua atividade à medida que recebe mais calor.
Em 1986, sondas conseguiram fazer sobrevoos do cometa, entre elas a Giotto, da Agência Espacial Europeia, e as sondas soviéticas Vega. Como as trajetórias não permitiam acompanhar o Halley, as observações duraram poucas horas. A nova missão tentaria superar essa limitação, permanecendo próxima do objeto por um período prolongado.
Como a trajetória seria ajustada
A espaçonave teria cerca de 2 mil kg, incluindo instrumentos e combustível. Seu propulsor de efeito Hall não forneceria um grande impulso de uma só vez. Em vez disso, aceleraria a nave gradualmente durante um longo período.
Primeiro, a nave passaria perto de Júpiter para aproveitar a gravidade do planeta, ganhar velocidade e seguir em direção a Saturno. Depois, a gravidade de Saturno ajudaria a inclinar sua trajetória, aproximando-a da órbita do Halley.
Esse percurso permitiria investigar características do cometa, como composição, formato e sua interação com fatores da viagem espacial. O projeto, porém, ainda não foi aprovado e permanece descrito em um trabalho. As janelas de lançamento calculadas são agosto de 2036 e setembro de 2037.







