Mercúrio pode estar encolhendo entre 10% e 30% mais rápido do que indicavam estimativas anteriores. A conclusão vem de um estudo que analisou rugas, escarpas e cristas na superfície do planeta vizinho da Terra.
Os pesquisadores calculam que Mercúrio já perdeu cerca de 19 quilômetros de diâmetro total desde sua formação, há 4,5 bilhões de anos. Liderada pelo Instituto de Pesquisa Espacial do Centro Aeroespacial Alemão (DLR, na sigla em alemão), a pesquisa foi publicada na revista Geophysical Research Letters nessa quinta-feira (10/9).
A dimensão da contração também ajuda a investigar a composição do interior do planeta. Para Gaku Nishiyama, líder do estudo, uma redução maior pode indicar um núcleo metálico maior, uma quantidade menor de elementos leves, como o silício, misturados ao núcleo ou uma temperatura inicial mais alta. “Uma maior contração significa que Mercúrio poderá ter um núcleo metálico maior”, explicou em comunicado.
Como a contração foi calculada
Durante sua formação, Mercúrio recebeu impactos de rochas e asteroides que circulavam pelo Sistema Solar. As colisões produziram calor. Com o resfriamento do interior do planeta, Mercúrio perdeu temperatura e encolheu, processo associado à formação das rugas em formato de escarpas e cristas nas camadas rochosas externas.
Para estimar essa redução, o estudo combinou mapas antigos da geologia de Mercúrio com observações recentes da rugosidade do planeta feitas por uma sonda da Nasa. A análise mostrou que terrenos com mais crateras apresentavam menos sinais de contração.
Os impactos que formaram as crateras também espalharam detritos, que esconderam parte das rugas e dificultaram o acompanhamento do encolhimento. Por isso, os cientistas concentraram a observação em áreas menos afetadas pela dispersão de material.
A avaliação indica que as características ocultas pelas regiões acidentadas podem representar uma contração de 10% a 30% maior. Novas missões à superfície de Mercúrio poderão fornecer mais informações e esclarecer o ritmo real desse processo.







