Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Monte Mantap registra 1.399 tremores após fim de testes nucleares

Estudo relaciona a atividade sísmica prolongada às tensões e falhas geológicas afetadas por seis explosões subterrâneas da Coreia do Norte.

Monte Mantap registra 1.399 tremores após fim de testes nucleares
Foto: GAS-photo/Shutterstock

A atividade sísmica na região do Monte Mantap, na Coreia do Norte, continuou por anos depois do fim dos testes nucleares subterrâneos realizados no local. Um estudo identificou 1.399 pequenos terremotos e apontou que os tremores aumentaram gradualmente até 2025.

A área era considerada geologicamente tranquila antes das explosões. Não havia registros de terremotos crustais em um raio de 50 quilômetros do Monte Mantap por mais de um século. Entre 2006 e 2017, o país realizou seis testes nucleares subterrâneos na montanha, localizada na província de Hamgyong do Norte.

Os pesquisadores conseguiram determinar com precisão a localização de 955 dos tremores registrados. Eles observaram que os terremotos não estavam distribuídos de forma aleatória: os eventos se organizavam em duas estruturas aproximadamente paralelas, que se estendiam para longe do local das explosões.

Uma dessas estruturas seguia a continuação projetada de uma falha geológica já conhecida. A outra indicava a possível existência de uma falha que ainda não havia sido mapeada.

Dados sísmicos e falhas geológicas

A pesquisa foi liderada por Xingli Fan, da Universidade de Tecnologia de Chengdu, e publicada na revista Science. A equipe examinou 17 anos de registros contínuos de ondas sísmicas, coletados entre 2008 e 2025 por estações de monitoramento instaladas na China e na Coreia do Sul, a distâncias entre 80 km e 200 km do local dos testes.

Para encontrar tremores menores, que normalmente não são identificados pelas redes convencionais, os cientistas usaram a detecção por filtro correspondente, conhecida em inglês como matched-filter detection.

Em geral, explosões subterrâneas provocam uma sequência intensa de pequenos terremotos, que tende a diminuir depois do fim dos testes. No Monte Mantap, porém, os pesquisadores observaram a continuidade e a aceleração da atividade sísmica até 2025.

Pressão exercida pela montanha

Modelos computacionais foram usados para avaliar como o peso e o formato do Monte Mantap influenciavam as tensões nas rochas abaixo da montanha. Os resultados indicaram que as encostas íngremes e o peso do monte exerciam pressão natural sobre essas rochas.

Segundo a equipe, as explosões danificaram estruturas geológicas que já apresentavam fragilidades. A crosta teria redistribuído gradualmente as tensões pelas rochas afetadas, permitindo que falhas próximas deslizassem anos depois das detonações.

“A sequência do Monte Mantap demonstra que explosões nucleares subterrâneas podem produzir efeitos crustais duradouros em um ambiente heterogêneo e criticamente tensionado”, escreveram os autores.

Os pesquisadores afirmaram que o resultado também pode ter implicações para o monitoramento previsto pelo Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares. A atividade sísmica prolongada pode dificultar a distinção entre tremores relacionados a explosões antigas e terremotos naturais.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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