Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Super El Niño pode elevar mortes por calor no mundo até fevereiro de 2027

Projeção estima 451 mil mortes adicionais, com 13,3 mil no Brasil entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027.

Super El Niño pode elevar mortes por calor no mundo até fevereiro de 2027
Foto: Divulgação/NASA

Uma projeção do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago (EUA), estima que um episódio de Super El Niño possa provocar até 451 mil mortes adicionais associadas ao calor extremo no mundo nos próximos meses. No Brasil, a previsão é de 13,3 mil óbitos acima do esperado entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027.

O estudo calcula que as temperaturas médias globais sobre áreas terrestres fiquem cerca de 1,2 °C acima do normal. Também é esperada uma alta de 44% na quantidade de dias de calor extremo em comparação com um ano normal.

A estimativa considera a relação observada entre temperatura e mortalidade em diferentes regiões. Para chegar aos resultados, os pesquisadores levaram em conta condições climáticas locais, vulnerabilidade das populações e capacidade de adaptação.

Brasil aparece entre os países mais afetados

O Brasil ocupa a quinta posição entre os países com maior número projetado de mortes adicionais relacionadas ao calor no período analisado. A maior parte dos óbitos previstos para o país deve ocorrer entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, quando são estimadas cerca de oito mil mortes adicionais.

O cálculo não corresponde ao total de pessoas que morrerão durante esses meses. Trata-se da quantidade de mortes relacionadas ao calor que ficaria acima do esperado em comparação com um ano considerado normal, usando como referência os períodos entre 1996 e 2025.

A Nigéria lidera a lista, com 31,4 mil mortes adicionais projetadas. Em seguida aparecem Indonésia, com 19,3 mil; Sudão, com 17,5 mil; e Índia, com 15,8 mil.

Os impactos previstos também se concentram em partes do Sul Global. No Sahel, região da África, a estimativa chega a 66,8 mil mortes adicionais relacionadas ao calor, quase metade delas na Nigéria. No Sudeste Asiático, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja podem somar cerca de 19,4 mil mortes adicionais.

O período de maior impacto não será igual em todos os países. De acordo com o Climate Impact Lab, Brasil e Índia devem concentrar uma parcela significativa das mortes projetadas entre dezembro e fevereiro.

Fenômeno pode antecipar condições futuras

O El Niño começou em junho de 2026 e deve continuar pelo menos até o início de 2027. Os pesquisadores descrevem o fenômeno como um possível “cartão-postal do futuro”, porque as temperaturas registradas podem se aproximar das condições previstas por modelos climáticos para cerca de 20 anos à frente.

A Universidade de Chicago ressalta que a estimativa de mortalidade representa apenas uma parte dos efeitos associados ao El Niño. Secas, incêndios florestais e inundações não foram incluídos no cálculo das 451 mil mortes por calor.

Para elaborar a projeção, os pesquisadores aplicaram relações entre temperatura e mortalidade a 24.378 regiões, considerando características climáticas e sociais locais. Eles usaram previsões de temperatura do sistema europeu ECMWF SEAS5 e compararam os resultados com a média de mortes relacionadas à temperatura registrada entre 1996 e 2025.

O estudo também incorpora incertezas das previsões meteorológicas e da relação entre temperatura e mortalidade. Os detalhes completos da metodologia ainda serão publicados em uma revista científica com revisão por pares.

Estratégias para reduzir os efeitos

Entre as medidas indicadas estão sistemas de alerta precoce para ondas de calor, identificação de populações vulneráveis, visitas domiciliares, criação de centros de resfriamento e proteção para trabalhadores expostos a temperaturas elevadas.

“Este relatório permite que os tomadores de decisão vejam exatamente onde medidas de emergência podem ser tomadas agora para salvar dezenas de milhares de vidas nos próximos meses”, afirmou Michael Greenstone, economista da Universidade de Chicago e cofundador do Climate Impact Lab.

No Brasil, boletim publicado em setembro pelo INPE e por outros órgãos federais indicou mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte entre setembro e novembro. O documento também apontou 100% de probabilidade de permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027.

Para o período, o boletim prevê chuvas acima da média em áreas da Região Sul e chuvas abaixo da média no centro-norte do Brasil.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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