Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Calor extremo pode afetar 451 mil pessoas no mundo durante o El Niño

Relatório estima 13,3 mil mortes no Brasil entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, com margem de 700 óbitos para mais ou para menos.

Calor extremo pode afetar 451 mil pessoas no mundo durante o El Niño

A adoção de alertas precoces, centros de resfriamento e visitas a populações vulneráveis está entre as medidas recomendadas para reduzir os efeitos do calor extremo previsto durante o atual El Niño. As sugestões fazem parte de um relatório do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago, que estima 451 mil mortes relacionadas ao calor no mundo entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027.

No Brasil, a projeção é de 13,3 mil óbitos. A margem de erro estimada para o país é de 700 mortes para mais ou para menos. O período analisado coincide com a previsão de que o fenômeno alcance sua intensidade máxima.

Países mais afetados

O Brasil aparece na quinta posição entre os países com maior número estimado de mortes por danos à saúde associados ao calor. A lista é liderada por Nigéria, com 31,4 mil mortes; Indonésia, com 19,3 mil; Sudão, com 17,5 mil; e Índia, com 15, 8 mil.

As projeções apontam que 49% das mortes, equivalentes a 220,5 mil casos, estarão concentradas em 50 países. A África responderia por 130,2 mil óbitos, ou 59% desse total. Para a Ásia, são previstos 62,2 mil casos, enquanto a América Latina teria 24,2 mil, correspondentes a 11%.

Entre os países desenvolvidos, Estados Unidos e Itália aparecem entre os mais impactados, com 3.500 e 780 mortes previstas, respectivamente. Juntos, representam menos de 2% do total.

A estimativa não considera as dezenas de milhares de mortes do verão europeu que já vinham sendo associadas às altas temperaturas relacionadas ao El Niño. Também não inclui outros possíveis efeitos do fenômeno, como secas, incêndios florestais e inundações.

Como a projeção foi feita

O laboratório calculou a relação entre temperatura e excesso de mortalidade, definido como o número de mortes acima da média, usando dados de 1996 a 2025. A análise considerou diferenças de clima local, vulnerabilidade e capacidade de adaptação em 24.378 regiões do mundo. Depois, essas relações foram aplicadas a previsões de temperatura de longo prazo.

Os autores informaram que os detalhes do método serão publicados em breve em um periódico com revisão por pares. A Organização Meteorológica Mundial e a agência climática dos Estados Unidos estimam que o El Niño pode se tornar o mais intenso já registrado.

“É um número tão elevado que pode nos deixar insensíveis, mas ele é composto por pais e filhos, avós e vizinhos, pessoas que trabalham, cuidam de suas famílias e vivem suas vidas”, afirma Michael Greenstone, cofundador do laboratório.

O relatório classifica o fenômeno como um “cartão-postal do nosso futuro”, porque temperaturas previstas para os próximos meses podem se tornar comuns em poucas décadas devido à mudança climática. Entre as ações recomendadas estão sistemas de alerta precoce, mapeamento e visitas domiciliares a pessoas vulneráveis, centros de resfriamento e proteção para trabalhadores ao ar livre.

“Reforçar a resposta emergencial e direcionar melhor nossos esforços pode salvar muitas vidas este ano”, afirma Tamma Carleton, coautora do relatório, chefe de pesquisa do Climate Impact Lab e professora assistente da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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