ROMA — Galerias subterrâneas preservadas sob as Termas de Trajano foram abertas à visitação pública após a conclusão de intervenções de restauração no monte Ópio. O conjunto reúne murais, mosaicos e estruturas de antigos complexos residenciais que ficaram soterrados durante a construção do complexo termal romano.
A abertura foi viabilizada pelo prefeito Roberto Gualtieri, depois de obras estruturais realizadas no subsolo da capital italiana. O projeto instalou passarelas suspensas para proteger os pisos históricos e garantir a circulação dos visitantes.
Equipes coordenadas pelo superintendente Claudio Parisi Presicce também iluminaram os corredores com lâmpadas especiais. A medida evita a proliferação biológica e ajuda a preservar a estabilidade química das tintas murais antigas.
Pinturas e mosaicos preservados
As paredes pertenciam a residências luxuosas construídas antes do grande incêndio da cidade imperial. Quando o imperador Trajano planejou seu complexo termal em 109 d.C., os edifícios anteriores foram reaproveitados como aterro e base de sustentação.
O soterramento protegeu as pinturas do oxigênio e da radiação solar direta. Com isso, os painéis decorativos permaneceram preservados no escuro e mantiveram elementos do planejamento urbano do século I.
A Città Dipinta apresenta um afresco com a vista panorâmica de uma cidade fortificada, representada inteiramente de cima. A composição inclui muralhas, torres e habitações organizadas com formas geométricas.
Já o Grande Mosaico reúne figuras humanas entre colunas ilusórias e elementos arquitetônicos em perspectiva. Na parte inferior, uma faixa portuária mostra embarcações e armazéns costeiros ligados à economia mercantil do Mediterrâneo antigo.
Vestígios das residências do monte Ópio
Estudos no Colle Oppio indicam que as colinas centrais abrigavam residências decoradas com mármores importados de diferentes regiões do império. Os achados também apontam a ocupação desses terraços pela aristocracia romana antes da reformulação urbanística promovida pelo Estado público.
A arqueóloga Rita Volpe analisou as escavações nas Termas de Trajano e identificou figuras de uma musa e de um filósofo. Entre os materiais encontrados estão fragmentos de mármore colorido, um painel figurativo e muros soterrados que serviram de suporte para as termas posteriores.
A abertura das galerias permite observar a sobreposição entre construções de diferentes períodos e amplia o conhecimento sobre a organização de espaços luxuosos e a representação de cidades muradas nos ambientes domésticos da Roma Antiga.







