Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Educação

Expedição registra corrosão e vida marinha em recipientes radioativos no Atlântico

Pesquisadores do projeto NODSSUM encontraram estruturas corroídas, resíduos liberados e organismos marinhos em áreas abissais do Oceano Atlântico.

Expedição registra corrosão e vida marinha em recipientes radioativos no Atlântico

Pesquisadores do projeto NODSSUM documentaram a degradação de recipientes metálicos depositados no leito do Oceano Atlântico desde meados do século passado. A expedição confirmou a presença de resíduos nucleares em áreas abissais e registrou sinais de liberação de partículas radioativas no sedimento.

Durante a Guerra Fria, nações europeias usaram o despejo marítimo para descartar resíduos industriais e científicos relacionados a instalações atômicas. Os recipientes eram blindados com cimento, sob a expectativa de que a grande extensão do oceano neutralizasse possíveis vazamentos ao longo do tempo.

Descobertas nas profundezas

A equipe viajou no navio oceanográfico Pourquoi Pas até as coordenadas dos antigos depósitos. Com sonares, os cientistas fizeram o mapeamento acústico do solo marinho e localizaram conjuntos de barris.

O submersível tripulado Nautile realizou vinte descidas e ultrapassou quatro mil e setecentos metros de profundidade. Durante as operações, foram coletadas amostras e produzidos registros visuais dos cilindros metálicos submetidos à pressão hidrostática.

As imagens mostraram que a corrosão provocada pela água salgada destruiu parte dos invólucros. Fraturas na blindagem permitiram a saída de sedimentos e resíduos que estavam no interior dos recipientes.

As estruturas também foram colonizadas por organismos marinhos. Anêmonas da espécie Actinoscyphia aurelia cresceram sobre o metal deteriorado, enquanto anêmonas e pequenos corais se fixaram nas paredes. Caranguejos e outros animais móveis foram observados circulando pelos restos expostos.

Liberação de partículas

A análise de amostras de água identificou isótopos artificiais no sedimento ao redor das carcaças. Medições espectrométricas encontraram traços de cobalto e césio, indicando a transferência gradual de partículas radioativas para o ambiente profundo.

O soterramento dos contaminantes ocorre lentamente. Com isso, os elementos permanecem em contato com a fauna bentônica. Animais que revolvem a lama podem redistribuir as partículas, enquanto correntes abissais transportam frações solúveis para além da área inicial. As argilas do fundo retêm temporariamente parte dos radionuclídeos por adsorção mineral.

Novas campanhas oceanográficas deverão avaliar se a radioatividade está sendo transferida pela cadeia alimentar marinha. Laboratórios analisam tecidos biológicos coletados durante a missão para determinar o nível de contaminação e avaliar a segurança ecológica do ecossistema. O monitoramento contínuo do leito oceânico também é apontado como necessário para acompanhar os efeitos do legado industrial do século passado.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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