Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Sete limites planetários já estão fora da faixa segura, aponta estudo

Relatório do Potsdam Institute for Climate Impact Research inclui a acidificação dos oceanos entre os limites ultrapassados pela humanidade.

Sete limites planetários já estão fora da faixa segura, aponta estudo
Foto: Imagem criada por inteligência artificial: Gemini/Olhar Digital

A humanidade já ultrapassou sete dos nove limites planetários definidos pela ciência para manter a Terra em condições estáveis. A conclusão está no Planetary Health Check 2026, produzido pelo Potsdam Institute for Climate Impact Research (PIK), que passou a incluir a acidificação dos oceanos entre os limites fora da faixa considerada segura.

Os limites ultrapassados abrangem mudanças climáticas, perda de biodiversidade, alterações no uso da terra, mudanças no ciclo da água, uso excessivo de fertilizantes, poluição e acidificação dos oceanos. A camada de ozônio e a poluição do ar permanecem dentro da zona segura. Ainda assim, os riscos associados aos aerossóis atmosféricos estão crescendo em algumas regiões.

O que são os limites planetários

Essas referências servem para avaliar se os principais sistemas naturais da Terra continuam em condições consideradas seguras. A ultrapassagem de uma fronteira não provoca uma transformação imediata e igual em todo o planeta, mas aumenta o risco de mudanças duradouras e potencialmente irreversíveis.

“O diagnóstico é inequívoco. A pressão está aumentando em todas as fronteiras planetárias que já estão fora do espaço operacional seguro”, afirmou Boris Sakschewski, autor principal do estudo.

O relatório associa a alteração desses sistemas a emergências ambientais registradas em diferentes regiões. Na Europa, vários países tiveram o verão mais quente já registrado, com 48,4 °C na Sardenha, na Itália. O período também foi marcado por incêndios e secas.

No Paquistão, as enchentes de 2025 atingiram mais de 6,9 milhões de pessoas. Em 2026, o colapso de uma geleira no Himalaia causou inundações no Nepal e no Tibete, destruiu comunidades e matou pelo menos 1.300 pessoas.

O estudo também relaciona clima e biodiversidade. A continuidade do desmatamento da Amazônia ameaça um dos grandes sumidouros de carbono do planeta. Nos oceanos, a pesca de arrasto provoca danos duradouros no fundo do mar e atinge entre 1% e 2% do leito oceânico todos os anos. A mineração em águas profundas acrescenta pressão, mas seus impactos ainda não podem ser totalmente quantificados.

O cenário não é apresentado como irreversível. O relatório cita a recuperação da camada de ozônio como exemplo de resposta coletiva que funcionou e afirma que já existem ferramentas para reduzir emissões de carbono, destruição da natureza e poluição. Johan Rockström, diretor do PIK e coautor, disse que há conhecimento, capacidade e soluções para mudar de rumo. A questão, segundo o estudo, é a velocidade de aplicação dessas medidas.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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