GOLFO DO MÉXICO — Uma expedição da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) encontrou um contêiner de carga com máquinas de lavar, geladeiras e freezers a 1,5 km de profundidade. A equipe procurava um possível navio naufragado quando descobriu os eletrodomésticos espalhados pelo fundo do mar.
A missão ocorreu em 2017, a bordo do navio Okeanos Explorer, durante um trabalho de mapeamento e investigação do Golfo do México. O sonar detectou uma estrutura grande cercada por objetos menores, o que levou os pesquisadores a suspeitar de um naufrágio. Um veículo operado remotamente foi enviado para examinar o local.
O que havia no fundo do mar
As imagens mostraram uma área arenosa com estruturas brancas e enferrujadas. Algumas estavam danificadas e exibiam partes internas. Em uma placa metálica, ainda era possível identificar trechos de instruções, como “Para operar”, “Para segurança pessoal” e “Solução de problemas”.
A investigação revelou um contêiner vermelho, amassado, com vários eletrodomésticos ao redor. A equipe registrou o número de identificação ITLU733016 [0] e outras marcações que poderiam ajudar a descobrir a origem da carga. Os produtos eram de marcas como RCA e GE e estavam sem embalagens, o que levou os pesquisadores a considerar que poderiam estar sendo levados para reciclagem.
Uma etiqueta apontava uma possível ligação com Louisville, no estado americano de Kentucky. A análise dos números de série mostrou que as máquinas de lavar tinham sido fabricadas pela última vez em 2002. Com base nisso, os cientistas estimaram que o contêiner teria caído no oceano por volta da virada do milênio. A hipótese levantada foi de que a estrutura tenha despencado de um navio durante uma tempestade, mas as circunstâncias não foram confirmadas.
A NOAA também observou sinais de vida marinha no local. Corais e hidrozoários estavam fixados às estruturas metálicas, enquanto um peixe usava a sombra do contêiner como abrigo. Para os cientistas, esses organismos podem ajudar a estudar a idade da fauna associada a estruturas submersas e a velocidade de seu crescimento.
A presença de animais não elimina os impactos do material abandonado. Pesquisas mencionadas pela equipe indicam que contêineres perdidos podem levar centenas de anos ou até mais para se degradar completamente nas profundezas oceânicas. O caso também mostrou que áreas distantes da superfície não estão livres da interferência humana.







