Mensagens que pareciam convites para colaborações em inteligência artificial foram usadas para direcionar pesquisadores e profissionais de políticas públicas a páginas fraudulentas. O objetivo, segundo a empresa de cibersegurança Proofpoint, era capturar senhas e outras credenciais.
A campanha é atribuída ao grupo TA419, que mira pessoas vinculadas a universidades, centros de pesquisa, empresas de defesa e escritórios de advocacia dos Estados Unidos e do Japão desde pelo menos 2025. Na ofensiva mais recente, os invasores se apresentaram como especialistas em IA e em assuntos de Estado.
Identidades usadas nas mensagens
Uma das identidades empregadas foi a de Lynne Parker, ex-vice-diretora principal do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca. As mensagens associadas ao nome dela ofereciam participação em iniciativas ou projetos relacionados à inteligência artificial.
Alex Engler, ex-integrante do governo norte-americano e atual diretor do Penn Center on Media, Technology, and Democracy, ligado à Universidade da Pensilvânia, recebeu uma dessas mensagens. O convite tratava de um projeto sobre políticas de IA. Após consultar colegas, ele identificou que a identidade de Parker estava sendo usada de forma indevida.
Parker confirmou que Engler estava entre duas pessoas que receberam mensagens suspeitas em seu nome no início de julho.
Alvos e possível interesse
A Proofpoint relacionou a operação aos programas maliciosos, à infraestrutura de internet e ao perfil das pessoas escolhidas. Para a empresa, esse conjunto é compatível com prioridades de coleta de informações da inteligência chinesa.
Menos de dez pessoas, distribuídas por um pequeno número de organizações, foram atingidas. A avaliação da Proofpoint é que a seleção indica interesse em decisões políticas dos Estados Unidos, além da busca por informações tecnológicas.
Entre os assuntos potencialmente visados estão regras para estabelecer limites e condições de desenvolvimento e uso da IA, restrições comerciais sobre tecnologias que podem ser exportadas e o planejamento estratégico do governo norte-americano para o setor.
“Os Estados Unidos e a China estão em uma competição em torno da IA”, afirmou Parker. Segundo ela, tentar obter informações de pessoas envolvidas nas políticas de inteligência artificial pode estar relacionado a essa disputa.
O governo da China nega há muito tempo realizar operações de ciberespionagem.






