Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Tecnologia

Etiqueta atribuída à Festa do Chá de Boston veio de empresa do século 19

Pesquisa de professor do MIT mostrou que peça guardada em museu de Boston não pertence ao protesto de 1773.

Etiqueta atribuída à Festa do Chá de Boston veio de empresa do século 19

Uma etiqueta mantida na coleção permanente da Old South Meeting House foi apresentada durante décadas como parte de uma das caixas de chá lançadas ao mar na Festa do Chá de Boston. A investigação do professor associado Tristan Brown, especialista em história chinesa no Massachusetts Institute of Technology (MIT), mostrou que o objeto foi produzido quase 100 anos depois do protesto de 1773.

A revolta contra a coroa britânica ocorreu em 16 de dezembro de 1773, quando 300 caixas de chá foram arremessadas ao mar. A peça, que traz caracteres em escrita tradicional chinesa, era associada à história do ferreiro Thomas Wells. A tradição familiar dizia que ele havia guardado o fragmento como lembrança do levante anticolonial e transmitido esse relato por gerações.

Leitura em cantonês revelou a origem

Brown revisou traduções anteriores, que tentavam interpretar os caracteres exclusivamente em mandarim. Segundo o pesquisador, essa abordagem produzia leituras sem sentido. Ele então aplicou uma análise fonética baseada no dialeto cantonês, usado no comércio marítimo asiático.

O resultado indicou que os caracteres soavam como “Smith, Archer”. A referência corresponde à empresa de importação e exportação Smith, Archer & Co., que operou no século 19 em rotas comerciais entre o Leste Asiático e os Estados Unidos. A atividade da empresa, portanto, ocorreu cerca de 100 anos depois da Festa do Chá de Boston.

A descoberta derrubou uma tradição oral aceita como registro histórico desde o início do século 20. Nesse período, jornais e comemorações cívicas teriam transformado o relato familiar em uma certeza associada ao museu.

Embora não seja uma relíquia da revolta, a etiqueta foi considerada por Brown um registro raro do comércio global de chá oitocentista. Para o pesquisador, o objeto também mostra como sociedades podem transformar narrativas sobre a própria independência em fatos aparentemente comprovados.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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