Cinco jogos usam o Japão como cenário para retratar momentos distintos do país: da guerra civil do período Sengoku ao cotidiano contemporâneo. As obras combinam referências históricas, cidades recriadas e elementos de fantasia para apresentar transformações na sociedade japonesa.
Tóquio entre a bolha econômica e a vida urbana
Em Yakuza, o Japão moderno aparece por meio de bairros de entretenimento, disputas imobiliárias e organizações criminosas. O primeiro jogo da série, lançado pela Sega em 2005, se passa principalmente naquele ano, com um prólogo em 1995. A história acompanha Kazuma Kiryu, que deixa a prisão depois de assumir a culpa por um crime que não cometeu e se envolve na busca por 10 bilhões de ienes desaparecidos do cofre de seu clã.
O principal cenário é Kamurocho, bairro fictício inspirado em Kabukicho, em Tóquio. Lojas de conveniência, fliperamas e hostess clubs fazem parte da representação do bairro de vida noturna.
A franquia também percorre outros períodos. Yakuza 6: The Song of Life se passa em 2016, enquanto Yakuza: Like a Dragon, de 2020, transfere o protagonismo para Ichiban Kasuga. Like a Dragon: Infinite Wealth, de 2024, aproxima a série do Japão atual. Já Yakuza 0 volta a 1988, no auge da bolha de preços de ativos, quando imóveis e ações alcançaram valores muito elevados. O jogo envolve a disputa por um terreno em Tóquio e vendeu mais de 2 milhões de cópias.
Um Japão contemporâneo visto por estudantes
Persona 5 Royal apresenta a rotina escolar e urbana de Tóquio. Embora o jogo mantenha oficialmente o ano da trama como “20XX”, seu calendário escolar, que vai de abril a março, corresponde a 2016, ano de lançamento do Persona 5 original.
O protagonista passa a estudar na fictícia Shujin Academy e lidera os Phantom Thieves, grupo que usa poderes sobrenaturais para revelar a corrupção de adultos. Locais como Shibuya e Akihabara aparecem recriados no jogo, que aborda a pressão social sobre adolescentes e a desconfiança em relação a autoridades corruptas.
Tradição e horror no interior
Silent Hill f desloca a série para o Japão pela primeira vez. A trama se passa inteiramente em Ebisugaoka, cidade fictícia do interior inspirada em Kanayama, distrito de Gero, na província de Gifu. O jogo foi lançado pela Konami em 2025.
A história se passa nos anos 1960, em um período marcado pelo contraste entre cidades em modernização e áreas rurais onde permaneciam costumes ligados a deuses locais, santuários, fantasmas, youkai e ancestrais. Hinako, a protagonista, enfrenta um horror sobrenatural relacionado ao peso da tradição, à vergonha e às expectativas familiares.
A guerra civil como ponto de partida
Onimusha: Warlords, da Capcom, lançado em 2001, começa em 1560, durante a Batalha de Okehazama. Oda Nobunaga enfrentou o exército de Imagawa Yoshimoto com 2 a 3 mil homens, enquanto o adversário reunia cerca de 25 mil soldados. A batalha ocorreu durante uma tempestade, e Yoshimoto morreu em combate.
O episódio serve de base para a trajetória de Samanosuke Akechi. Depois da vitória de Nobunaga, o protagonista recebe um pedido de socorro da princesa Yuki e parte para enfrentar demônios Genma. A obra mistura acontecimentos do período Sengoku, que se estendeu aproximadamente de 1467 a 1615, com fantasia sobrenatural.
A franquia também alcança o início do período Edo em Onimusha: Way of the Sword, que chegou em 04 de setembro de 2026. O jogo tem Miyamoto Musashi como personagem central. O samurai viveu aproximadamente entre 1584 e 1645, venceu 62 duelos sem perder e escreveu o “Livro dos Cinco Anéis”.
O Japão de hoje nas pistas
Forza Horizon 6 fecha o percurso com o Japão de 2026. Lançado em 2026, o jogo da Playground Games e da Xbox Game Studios é o primeiro da franquia Forza Horizon ambientado no país.
Como se trata de um jogo de corrida em mundo aberto, o cenário não representa um período histórico específico. A proposta é mostrar o Japão contemporâneo, com santuários tradicionais, oficinas mecânicas e fliperamas iluminados por neon convivendo no mesmo espaço.
Juntos, os cinco jogos apresentam diferentes imagens do país: a instabilidade do Japão feudal, os contrastes do pós-guerra, a bolha econômica, a rotina urbana contemporânea e a combinação entre tradição e tecnologia no presente.







