NOVA YORK — A Huawei começou a ser julgada nos Estados Unidos por acusações de roubo de segredos comerciais, fraude bancária, fraude eletrônica, violação de sanções e conspiração. Promotores americanos afirmam que as práticas teriam ocorrido durante cerca de duas décadas e contribuído para a expansão global da companhia chinesa.
O julgamento ocorre em um tribunal federal no Brooklyn, em Nova York. A empresa nega as acusações e afirma que o governo americano reuniu episódios isolados para tentar apresentar a Huawei como uma organização criminosa. A defesa atribui o crescimento da companhia a investimentos em pesquisa, inovação e competição.
Suposto roubo de tecnologia
De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, a Huawei teria obtido ilegalmente propriedade intelectual de empresas americanas. Entre as informações citadas estão código-fonte de roteadores, tecnologias de antenas e sistemas usados em testes de smartphones.
Os promotores também dizem que funcionários teriam recebido incentivos para conseguir dados confidenciais de concorrentes. Uma acusação anterior do governo americano mencionou um programa de bonificação que relacionaria a recompensa ao valor das informações obtidas.
Os advogados da Huawei contestam essa interpretação. Para a defesa, possíveis irregularidades cometidas por funcionários não comprovam a existência de uma estratégia criminosa coordenada pela companhia.
Acusações relacionadas ao Irã
O processo também trata das operações da Huawei no Irã. Os Estados Unidos acusam a empresa de esconder sua relação com a Skycom para fazer negócios no país e movimentar dinheiro pelo sistema financeiro americano, apesar das sanções em vigor.
A acusação afirma ainda que equipamentos fornecidos pela Huawei teriam ajudado autoridades iranianas a monitorar manifestantes durante os protestos de 2009. A empresa contesta esse ponto.
O caso começou a ser estruturado em 2018 e o julgamento deve durar aproximadamente três meses. Até uma eventual decisão do júri, as acusações continuam sendo alegações que precisam ser comprovadas no tribunal.







