A Organização das Nações Unidas deve ser o espaço para definir regras sobre o futuro da inteligência artificial, afirmou o secretário-geral António Guterres na abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22). Ele defendeu que os países compartilhem informações, cooperem em avaliações de segurança e criem salvaguardas comuns para a tecnologia.
Guterres também pediu que decisões envolvendo a vida humana não sejam transferidas para máquinas e defendeu a proteção de crianças diante de sistemas ainda sem regulamentação. “Decisões de vida ou morte nunca devem ser entregues às máquinas”, declarou.
Regras e cooperação entre países
Na avaliação do secretário-geral, a inteligência artificial concentra poder em dados, capacidade computacional e algoritmos. Esse poder estaria nas mãos de poucas pessoas, avançando em velocidade superior à capacidade de compreender todas as consequências da tecnologia.
Guterres comparou o desafio atual aos riscos das armas nucleares durante a Guerra Fria. Segundo ele, mesmo em um período de rivalidade entre grandes potências, os países reconheceram a necessidade de administrar ameaças capazes de afetar toda a humanidade.
O secretário-geral alertou para a possibilidade de uma disputa internacional pelo controle da IA e afirmou que os países que lideram o desenvolvimento da tecnologia devem assumir responsabilidade pela segurança da população. Ele também pediu condições para um ritmo responsável de avanço e a criação de um marco multilateral de gerenciamento de riscos, com supervisão independente e confiável.
Entre as iniciativas mencionadas estão o Pacto Digital Global, o Diálogo Global sobre Governança da IA e o Painel Científico Internacional Independente sobre IA. Esses fóruns reúnem governos, cientistas, empresas e representantes da sociedade civil.
Potencial e riscos da inteligência artificial
Apesar dos alertas, Guterres afirmou que a IA pode contribuir para avanços na medicina, acelerar descobertas científicas, ampliar oportunidades e melhorar a qualidade de vida. Para ele, o problema não está na tecnologia em si, mas no uso sem responsabilização, supervisão ou transparência.
O secretário-geral disse que a inteligência artificial já está presente em áreas como sistemas de água, redes elétricas, registros de saúde, economias e forças militares. A tecnologia, segundo ele, pode ajudar a enfrentar desafios globais ou agravar esses mesmos problemas.
Guterres classificou a IA como um dos quatro grandes “testes de poder” do futuro, ao lado de guerra e paz, desigualdade e crise climática. Também afirmou que agentes de inteligência artificial podem sair do controle e que armas autônomas letais deixaram de ser apenas uma hipótese de ficção científica.
Ele resumiu o desafio da governança da tecnologia com a defesa de que é preciso governar a inteligência artificial antes que ela governe a humanidade. “Crianças nunca devem se tornar cobaias de sistemas não regulamentados”, afirmou.
Presidente da Assembleia Geral também pede limites
Khalilur Rahman, presidente da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU, afirmou que a inteligência artificial pode acelerar o progresso humano, mas citou riscos como perda de empregos e aumento da desigualdade digital. Ele também disse que não é possível descartar impactos da inteligência artificial geral, ou AGI, sobre a sobrevivência humana.
Rahman defendeu a adoção de medidas baseadas em evidências científicas para proteger o interesse público sem impedir a inovação. Para ele, governos, empresas, inovadores, cientistas, sociedade civil e academia devem participar da discussão sobre a governança da tecnologia.
O presidente da Assembleia Geral também afirmou que as Nações Unidas precisam ampliar a participação de quem desenvolve e usa IA, diante da velocidade com que a tecnologia avança e se incorpora a diferentes áreas da sociedade.







