NOVA YORK — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (22), durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, que o Brasil não pretende ceder à pressão de multinacionais interessadas em privatizar o PIX.
A defesa do sistema brasileiro de pagamentos foi apresentada no mesmo contexto em que Lula falou sobre inteligência artificial, empresas de tecnologia e proteção de direitos. O presidente disse que o desenvolvimento tecnológico não deve ficar concentrado em poucas empresas ou países.
Ao tratar de serviços digitais, Lula criticou modelos que repassam às famílias a responsabilidade de lidar com algoritmos e que exploram comportamentos prejudiciais. Ele citou as bets e afirmou que o governo aprovou legislação voltada à proteção de crianças e mulheres.
“Não vamos ceder à pressão de multinacionais que querem privatizar o nosso PIX”, declarou.
Regras para a inteligência artificial
A posição apresentada pelo Brasil inclui a criação de normas internacionais para a inteligência artificial, com participação dos governos e instrumentos de proteção a direitos e dados pessoais. Lula defendeu que a tecnologia contribua para o desenvolvimento e ajude a reduzir desigualdades, sem ampliar as diferenças entre países ou alimentar conflitos.
O debate internacional sobre o tema ganhou diferentes espaços. Em 2023, representantes de 28 países, entre eles Brasil, Estados Unidos e China, participaram, no Reino Unido, da primeira Cúpula de Segurança da Inteligência Artificial. O encontro terminou com a Declaração de Bletchley, que reconhece riscos associados à tecnologia e propõe cooperação entre os países.
Em 2025, mais de 100 países participaram da Cúpula de Ação sobre Inteligência Artificial, realizada em Paris. Segurança, acesso à tecnologia e governança internacional estiveram entre os assuntos discutidos.
Em julho deste ano, a ONU promoveu, em Genebra, o primeiro Diálogo Global sobre Governança da Inteligência Artificial. O governo brasileiro defende limites para o uso da tecnologia, mecanismos de proteção e responsabilização por crimes praticados no ambiente digital. Também sustenta que os benefícios da IA não devem ficar restritos aos países mais ricos.
A Assembleia Geral reúne representantes dos 193 países-membros da ONU. O Brasil tradicionalmente faz o primeiro discurso do debate geral, seguido pelos Estados Unidos.







