Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Rift de Turkana revela separação avançada no leste da África

Crosta mais fina no centro do rifte indica avanço do processo que pode formar uma nova bacia oceânica entre Quênia e Etiópia.

Rift de Turkana revela separação avançada no leste da África
Foto: Imagem criada por inteligência artificial: Gemini/Olhar Digital

Um estudo publicado na revista Nature Communications indica que o Rift de Turkana, entre Quênia e Etiópia, está em uma fase avançada de separação do continente africano. O processo envolve as placas Núbia e Somali e poderá levar à formação de um novo oceano.

A análise foi feita a partir de medições sísmicas realizadas anteriormente na região. Os dados mostram que a crosta terrestre tem 13 quilômetros de espessura no centro do rifte, enquanto ultrapassa 35 quilômetros nas bordas.

Quando a crosta fica abaixo de aproximadamente 15 quilômetros, começa uma fase chamada de afinamento, ou necking. Nesse estágio, a estrutura se torna mais fraca e o deslocamento entre as partes do continente pode continuar avançando.

Christian Rowan, geocientista da Universidade Columbia, afirmou que a transformação está mais adiantada do que se imaginava. “Descobrimos que a formação do rifte nessa zona está mais avançada, e a crosta é mais fina, do que qualquer pessoa havia reconhecido.”

Como o novo oceano pode se formar

A placa Núbia, que concentra a maior parte do continente africano, fica a oeste. A placa Somali está do outro lado e inclui a costa oriental da África e Madagascar. O Rift de Turkana se estende por centenas de quilômetros entre Quênia e Etiópia.

Em alguns milhões de anos, a região poderá chegar à etapa chamada oceanização. Nessa fase, a separação continental dá origem a uma nova bacia oceânica. O processo ocorre com o afinamento progressivo da crosta. Quando ela fica extremamente fina, o magma pode subir, se acumular e esfriar, formando uma nova bacia.

Com o tempo, essa estrutura poderá se transformar em fundo oceânico à medida que a água do Oceano Índico avance para a área. O início do necking ocorreu há aproximadamente 4 milhões de anos, mas a separação completa ainda deve levar alguns milhões de anos.

Relação com os fósseis de hominínios

A atividade geológica também pode ajudar a explicar a concentração de fósseis de antigos hominínios encontrada em Turkana. O início do necking coincide com a idade dos primeiros fósseis identificados na área.

A hipótese dos pesquisadores é que a mudança tectônica tenha aumentado o acúmulo de sedimentos. Essas camadas podem ter favorecido a preservação dos restos de seres vivos que habitavam a região.

Para os cientistas, a quantidade de fósseis não indica necessariamente que Turkana tenha sido mais importante para os primeiros humanos do que outras áreas da África. A própria geologia pode ter contribuído para conservar melhor o registro do que ocorreu no local. Novos estudos poderão investigar essa relação entre as transformações tectônicas e os fósseis.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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