MAR DO NORTE — Um conjunto de fósseis encontrados em rochas submarinas foi reunido sob o nome científico Vomitus, classificação criada para vestígios que podem registrar o que répteis marinhos ingeriam e não conseguiam digerir. O material tem aproximadamente 160 milhões de anos e foi analisado pelo geólogo Dirk Knaust.
As amostras vieram do fundo do Mar do Norte, próximo à Noruega, durante pesquisas marinhas realizadas pela Equinor. No material retirado do campo de perfuração Troll, havia cerca de 20 a 30 agrupamentos fossilizados, alguns com poucos centímetros.
Pistas sobre a alimentação
Os agrupamentos preservavam conchas, tubos de vermes marinhos e fragmentos de equinodermos. As conchas tinham marcas de corrosão e desgaste compatíveis com a ação de suco gástrico. A interpretação dos pesquisadores é que esses materiais podem ter sido regurgitados depois de passar pelo sistema digestivo de predadores.
Outro indício está na origem dos organismos encontrados. As espécies viviam em ambientes de água doce, como deltas, e não sobreviveriam nas águas totalmente marinhas onde os fósseis foram identificados. A hipótese é que os animais fossem capturados no fundo do mar e nos deltas e que os plesiossauros se deslocassem para o mar aberto antes de expelir o que não havia sido digerido.
Os principais suspeitos são plesiossauros da família Cryptoclididae. Eles tinham pescoço comprido, cabeça relativamente pequena e quatro grandes nadadeiras. A dentição, formada por dentes finos, numerosos e semelhantes entre si, permitia procurar pequenos animais nos sedimentos do fundo marinho.
A atribuição, porém, não é definitiva. O estudo também considera que tubarões extintos do grupo Hybodontiformes podem ter produzido parte dos vestígios.
Três tipos de icnofósseis
A classificação Vomitus inclui três categorias: Vomitus concha, com predominância de conchas de moluscos; Vomitus serpula, formado principalmente por tubos de vermes marinhos; e Vomitus echinoderma, composto sobretudo por fragmentos de equinodermos.
Essas estruturas são icnofósseis, ou seja, marcas e restos da atividade de organismos antigos. Em vez de preservar apenas partes do corpo, como ossos e dentes, elas registram comportamentos ligados à alimentação, ao deslocamento e à digestão. Para Knaust, a descoberta ajuda a compreender os hábitos dos plesiossauros e o funcionamento de ecossistemas desaparecidos.







