LIAONING — Um dinossauro pequeno, coberto por penas e próximo das aves na árvore evolutiva, foi identificado como uma nova espécie. Batizado de Norellraptor barsboldi, o animal pertence ao grupo dos microrraptorinos e ajudou pesquisadores a reconstruir como estruturas associadas ao voo surgiram em linhagens diferentes. A descoberta foi publicada nesta terça-feira (29/9) na revista Nature Communications.
O fóssil foi encontrado por um agricultor perto de Lamadong, na província de Liaoning, no nordeste da China. Depois, o exemplar foi doado ao Museu da Universidade Hebei GEO.
Características do fóssil
O esqueleto tem 57 centímetros e está praticamente completo. Algumas partes se deslocaram depois da morte do animal, mas foram preservadas marcas de penas próximas de um dos braços, do quadril, da cauda e das pernas.
A conservação não permite calcular com precisão o comprimento e o formato de toda a plumagem. Os autores consideram possível que uma das mãos tivesse penas assimétricas. A espécie foi reconhecida pela combinação de características ósseas, como grandes aberturas na região do focinho, à frente dos olhos, e uma parte da bacia levemente curvada, terminada em uma pequena projeção.
Também foram identificados dentes com bordas serrilhadas e uma garra curva no segundo dedo do pé, traço dos dinossauros do grupo dos microrraptorinos.
Estimativa de idade e evolução do voo
Para estimar a idade do animal, os pesquisadores analisaram ao microscópio uma amostra do rádio, osso do antebraço. As marcas de interrupção do crescimento indicam que ele viveu por mais de dois anos. Como camadas mais antigas podem ter sido reabsorvidas, a estimativa mais cautelosa é de pelo menos três anos.
A equipe comparou ainda a anatomia dos microrraptorinos com a de aves antigas. Das 194 mudanças anatômicas identificadas na evolução do grupo, 57 também apareceram na linhagem das aves. A ordem, porém, foi diferente: nos microrraptorinos, alterações nos dedos vieram antes de mudanças em ossos do peito, do ombro e do punho; nas aves, a sequência reconstruída foi inversa.
Para os autores, o resultado indica trajetórias evolutivas independentes para estruturas semelhantes ligadas ao voo. O fóssil não demonstra, sozinho, como o Norellraptor se movia no ar.







