Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Data centers dividem candidatos sobre energia, tecnologia e papel do Estado

Propostas para ampliar a infraestrutura de inteligência artificial divergem sobre incentivos, empresas estrangeiras e exigências ambientais.

Data centers dividem candidatos sobre energia, tecnologia e papel do Estado
Foto: Frame Stock Footage/Shutterstock

A expansão dos data centers aparece nas propostas de cinco candidatos à Presidência: Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos. Os planos têm em comum a busca por maior capacidade computacional para desenvolver e operar sistemas de inteligência artificial, mas seguem caminhos diferentes sobre o papel do Estado e as condições para atrair empresas.

Diferentes caminhos para a expansão

Lula associa os data centers à soberania digital e propõe infraestrutura computacional nacional, serviços de nuvem e supercomputadores desenvolvidos ou operados por instituições brasileiras. O programa também prevê medidas de eficiência energética, uso de fontes renováveis, análise dos efeitos sobre os sistemas elétrico e hídrico e exigências de conteúdo local.

Ronaldo Caiado defende incentivos tributários vinculados a compromissos ambientais, tecnológicos e sociais. Flávio Bolsonaro e Romeu Zema priorizam a atração de investimentos privados, com destaque para energia barata e confiável e regras que estimulem a instalação das estruturas.

Renan Santos propõe incentivos e zonas econômicas especiais voltadas à inteligência artificial. Augusto Cury considera a IA uma infraestrutura estratégica de Estado, mas não detalha uma medida específica para data centers.

As propostas mencionam, em diferentes combinações, incentivos tributários, energia renovável, eficiência, transferência de tecnologia e contrapartidas sociais e ambientais.

Infraestrutura não basta, diz especialista

Para Luca Belli, professor da Fundação Getulio Vargas, a presença de servidores não assegura autonomia tecnológica. “Você pode ser um quintal para data centers de outros, que simplesmente vão absorver os seus recursos naturais e energéticos”, afirma.

Na avaliação de Belli, os projetos deveriam incluir universidades, laboratórios, startups e governos locais. O objetivo seria formar profissionais e estimular a produção de tecnologia brasileira. Ele também aponta a dependência de fornecedores estrangeiros: a computação em nuvem é dominada por um pequeno grupo de empresas americanas, enquanto a fabricação de chips avançados está concentrada em poucos fabricantes.

Energia, água e regras para os empreendimentos

Os servidores funcionam continuamente e consomem muita energia. A refrigeração pode exigir água, enquanto instalações de grande porte podem demandar novas estruturas de transmissão e distribuição elétrica.

O Idec defende critérios para definir os locais de instalação, os impactos que devem ser estudados e os responsáveis pelos custos adicionais. No complexo da Scala no Rio Grande do Sul, organizações questionam aspectos do licenciamento ambiental e do fornecimento de energia.

Redata avança no Congresso

A discussão já chegou ao Congresso. No início de setembro, o Senado aprovou o Redata, projeto que cria um regime especial de tributação para empresas do setor. A proposta suspende impostos sobre importação, PIS/Cofins e IPI.

Para ter acesso ao benefício, as empresas terão de cumprir requisitos sobre uso de energia renovável ou de baixa emissão, sustentabilidade e eficiência hídrica. O governo estima uma isenção de R$ 5,2 bilhões em 2026.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou: “Os Estados Unidos ameaçam cessar o fornecimento a quem fizer negócios nessas áreas mais críticas com a China.”

A disputa envolve a capacidade computacional que o Brasil pretende atrair, mas também a tecnologia desenvolvida no país, os benefícios econômicos dos projetos e os custos de energia, água e infraestrutura que permanecerão no território nacional.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.

Mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5