Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Ex-cabo da Aeronáutica recorre contra arquivamento parcial de denúncia de homofobia

Bruno Henrique Mendes afirma ter sido alvo de mensagens ofensivas após publicar uma foto com o namorado durante o serviço militar.

O universitário Bruno Henrique Mendes, de 27 anos, recorreu contra o arquivamento parcial de uma denúncia de supostos episódios de homofobia ocorridos durante o período em que serviu como cabo da Aeronáutica. O caso tramita nas esferas civil e militar, sob sigilo.

Bruno ingressou na Força por meio de concurso temporário, serviu por oito anos e deu baixa em março de 2025. Segundo ele, em 2024 passou a ser alvo de chacotas e comentários ofensivos depois de publicar uma foto abraçado ao namorado durante a formatura de um curso interno para a Polícia da Aeronáutica.

Mensagens em grupos de militares

A imagem teria sido retirada de uma rede social e compartilhada em grupos de WhatsApp por militares, acompanhada de comentários irônicos, pejorativos e homofóbicos. Bruno soube do caso quando um colega lhe mostrou capturas de tela das conversas. Parte das mensagens aparecia identificada como “Encaminhada com frequência”.

“Não tinha sido a primeira vez que uma coisa desse tipo tinha acontecido comigo lá. Todas as outras vezes eu ignorava, mas essa foi a gota d’água porque não tinha só eu na foto. Tinha o meu namorado”, afirmou Bruno.

Ele disse que sua orientação sexual nunca foi mantida em segredo e relatou que outros episódios de homofobia já haviam ocorrido no batalhão, envolvendo um amigo e um conhecido. Após conversar com colegas e com o chefe da seção em que trabalhava, foi orientado a denunciar o caso.

A denúncia levou à abertura de um Inquérito Policial Militar (IPM). Como algumas pessoas citadas já não tinham vínculo com a organização, Bruno tentou inicialmente apresentar a queixa ao Ministério Público. O pedido foi negado, e ele recebeu a orientação de registrar um boletim de ocorrência em uma delegacia da Polícia Civil. Ao tentar fazer o registro, foi informado de que deveria procurar o Ministério Público Militar, mesmo com civis entre os envolvidos.

Depois dessas negativas, formalizou a acusação por meio de um ofício enviado à própria Aeronáutica. Entre os participantes das conversas, estariam militares da ativa e pessoas já dispensadas do serviço.

Arquivamento parcial e recurso

Em setembro de 2025, Bruno recebeu do Ministério Público Militar um documento que registrava o arquivamento parcial da acusação. O órgão afirmou que os comentários, embora inseridos em um contexto reprovável, não poderiam ser criminalizados por não terem atingido diretamente a honra subjetiva da vítima. Alguns nomes foram retirados do processo pela falta de confirmação de que as ofensas eram dirigidas diretamente a Bruno.

O documento também registrou que a publicação de fotos pessoais na internet faria com que a pessoa assumisse o risco de uso inadequado da própria imagem por terceiros. Para Bruno, esse entendimento transfere à vítima a responsabilidade pelo conteúdo das agressões.

A defesa recorreu do arquivamento e contestou pontos da decisão. No recurso, afirmou que falas consideradas genéricas reforçavam a legitimação das agressões e apontou violência institucional, falta de acolhimento e danos psicológicos minimizados pela instituição. A defesa também questionou o uso da expressão “opção sexual” em documentos oficiais.

Bruno afirmou que buscou atendimento psicológico por conta própria depois de não conseguir ajuda dentro da Aeronáutica. Ele também relatou que a convivência diária com os envolvidos se tornou insustentável e que precisava controlar as próprias reações para não comprometer sua posição no processo.

Audiência e posição das instituições

Em abril de 2026, Bruno foi intimado a participar de uma audiência com três dos acusados. Depois do encontro, sua defesa informou que dois dos indiciados haviam oferecido um acordo. Ele recusou a proposta e disse que só aceitaria um acordo nos próprios termos. Até o momento, segundo ele, não recebeu retorno.

Após o desligamento, Bruno afirmou que não foi procurado pela instituição. Ele disse ter recebido apenas uma diretriz sobre como agir em casos de assédio.

A assessoria de imprensa da Aeronáutica informou que não comenta investigações e processos judiciais em andamento. O Superior Tribunal Militar declarou que existem cinco ocorrências relacionadas ao caso, sendo quatro referentes a processos de 2025 e uma registrada no início de 2026. O tribunal também informou que não tem registros ocorridos.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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