Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Irmão de ministro do STF mudou de função na SP Regula após voto sobre funerárias

Alexandre de Almeida Mendonça passou a secretário-executivo em junho de 2026; Prefeitura nega vínculo entre a mudança e o julgamento no Supremo.

Irmão de Mendonça foi promovido por Ricardo Nunes após voto favorável de ministro à Prefeitura

Alexandre de Almeida Mendonça, irmão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a ocupar o cargo de secretário-executivo da SP Regula em junho de 2026. A agência da Prefeitura de São Paulo regula e fiscaliza serviços públicos concedidos, incluindo os funerários e cemiteriais.

A mudança ocorreu depois de André Mendonça votar em uma ação relacionada ao modelo de concessão dos cemitérios e dos serviços funerários da capital. No processo, o ministro abriu divergência em relação ao relator, Flávio Dino, e defendeu que a ação não deveria ser aceita pelo STF. A Prefeitura havia contestado medidas determinadas por Dino após questionamentos sobre o aumento dos preços dos serviços funerários.

Alexandre já trabalhava na SP Regula quando o irmão participou do julgamento. Registros indicam que ele entrou na agência como gerente em fevereiro de 2024, tornou-se superintendente em julho daquele ano e chegou à Secretaria Executiva em junho de 2026. A área reúne setores operacionais da autarquia, entre eles a Gerência de Serviços Funerários e Cemiteriais.

A Prefeitura de São Paulo contesta a descrição da mudança como promoção e nega qualquer relação com a atuação do ministro. Em nota, afirmou que Alexandre deixou a função de Superintendente de Planejamento para assumir o posto de Superintendente da Secretaria Executiva, com o mesmo nível hierárquico e sem aumento de remuneração. A administração municipal declarou que a movimentação foi “uma simples mudança de atribuições”.

Segundo a Prefeitura, Alexandre entrou na SP Regula após um processo de seleção em 2024, com análise de currículos, histórico profissional e entrevistas. A gestão também disse que ele sempre exerceu funções administrativas e não teve responsabilidade direta pela gestão dos contratos de concessão.

O julgamento no STF ainda não terminou. Depois de André Mendonça pedir vista e apresentar sua divergência em abril de 2025, Gilmar Mendes fez um pedido de destaque. Em maio, o julgamento presencial foi interrompido por um pedido de vista de Luiz Fux. O processo segue com diligências, audiências, manifestações e medidas de acompanhamento, sem decisão final.

A Prefeitura e a SP Regula foram questionadas sobre os critérios da mudança, as atribuições de Alexandre e sua eventual atuação em assuntos funerários e cemiteriais. André Mendonça também foi procurado para informar se comunicou ao processo o cargo ocupado pelo irmão e se avaliou eventual impedimento ou suspeição. Alexandre foi consultado sobre suas funções. Não houve manifestação registrada além da nota da Prefeitura.

No domingo (7), durante os atos do Dia da Independência em São Paulo, Ricardo Nunes distribuiu camisetas com mensagens de apoio a André Mendonça. A ação ocorreu durante um ato convocado pelo senador Flávio Bolsonaro, que teve críticas ao Supremo.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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