Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Melanoma ocular pode não dar sinais no início, aponta levantamento nacional

Dados da Fundação do Câncer mostram que o olho foi a principal localização entre os casos de melanoma fora da pele.

Melanoma ocular pode não dar sinais no início, aponta levantamento nacional
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O melanoma ocular pode permanecer sem sintomas nas fases iniciais e ser identificado apenas em exames de rotina, alerta a Fundação do Câncer. O sinal de atenção integra um estudo epidemiológico sobre melanomas que surgem fora da pele, em estruturas como os olhos, mucosas e órgãos dos sistemas genital e digestório.

Entre 1990 e 2021, foram registrados 1.324 casos de melanoma extracutâneo no Brasil. Desse total, 523 ocorreram em homens e 801 em mulheres. O olho respondeu por 75% das localizações primárias, seguido pelos órgãos genitais, com 12,8%, e pelo sistema digestório, com 8,2%.

Nos 993 casos de melanoma ocular analisados, 447 foram registrados em homens e 546 em mulheres. Como os sintomas podem ser inespecíficos, o diagnóstico pode ser retardado. A Fundação do Câncer cita visão embaçada, flashes luminosos, manchas no campo visual e perda visual entre os sinais possíveis.

O que mostra o levantamento

A análise avaliou 42.255 registros hospitalares de câncer no Brasil. Os melanomas cutâneos representaram 92,2% dos casos, enquanto os oculares corresponderam a 5,7% e os de mucosa, a 2,5%.

A pesquisa faz parte da 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, dedicada aos melanomas de pele e extracutâneos. Os dados foram obtidos na plataforma info.oncollect, que reúne informações de registros hospitalares de oncologia.

Segundo a Fundação do Câncer, o melanoma extracutâneo é menos frequente, mas apresenta maior possibilidade de metástase e de disseminação para tecidos e órgãos vizinhos. O consultor médico da entidade e coordenador do estudo, Alfredo Scaff, afirma que o enfrentamento da doença depende de prevenção, diagnóstico precoce, registros qualificados e acesso ao tratamento.

“Para enfrentar o câncer, não basta tratar. É preciso conhecer”, diz o boletim da fundação.

Tratamento e acesso pelo SUS

No Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento padrão do melanoma inclui a cirurgia da lesão primária e a retirada dos linfonodos envolvidos. Entre 2014 e 2023, a cirurgia foi o principal tratamento inicial do melanoma de pele em todas as regiões brasileiras, com 84,7% dos procedimentos registrados.

A Região Sudeste teve 89,6% dos casos tratados inicialmente com cirurgia, enquanto o Norte registrou 64,4%. No Centro-Oeste, 20,2% dos pacientes precisaram se deslocar para realizar o tratamento oncológico, o maior percentual de deslocamento entre as regiões.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) informa que a quimioterapia é amplamente utilizada contra melanomas. Em 2016, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou no Brasil medicamentos anti-PD-1, como nivolumabe e pembrolizumabe. Também foi aprovado posteriormente o tebentafuspe, indicado para melanoma ocular metastático ou inoperável.

Em 2020, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) aprovou a primeira imunoterapia no SUS para melanoma metastático, com nivolumabe e pembrolizumabe.

O alto preço dos medicamentos, porém, limita o acesso de pacientes do SUS à imunoterapia. Alfredo Scaff defende a compra centralizada de insumos e uma política de industrialização da saúde para reduzir os custos e ampliar a produção nacional.

O coordenador de Assistência do Inca, Gélcio Mendes, afirma que as evidências sobre imunoterapia para melanoma extracutâneo ainda são escassas. As mudanças no programa de Assistência Farmacêutica em Oncologia no SUS (AF-Onco) estão em tramitação, e a distribuição dos medicamentos para unidades e centros especializados permanece em negociação entre os gestores.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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