Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

MP-SP apura possível conexão entre privatizações paulistas e caso Banco Master

Promotoria deu prazo de 45 dias para Sabesp, Emae, TCE e governo Tarcísio enviarem informações sobre a denúncia.

MP-SP investiga elo do escândalo do Master com privatização da Sabesp e Emae por Tarcísio de Freitas
Foto: Caiuá Maia Campanha Tarcísio/Divulgação

O Ministério Público de São Paulo abriu uma notícia de fato para apurar uma possível relação entre o caso Banco Master e os processos de privatização da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) e da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A análise preliminar envolve operações conduzidas pelo governo de Tarcísio Gomes de Freitas entre abril e julho de 2024.

A Promotoria do Patrimônio Público e Social solicitou informações à Sabesp, à Emae, ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) e ao governo paulista. O prazo estabelecido pela promotora Cíntia Marangoni é de 45 dias. Depois do recebimento dos dados ou do fim desse período, ela decidirá se há elementos para abrir um inquérito civil.

O que será analisado

O despacho indica que a promotoria vai verificar, entre outros pontos, se houve possível lesão ao patrimônio público estadual, violação de princípios da administração pública, prejuízo à competição, conflito de interesses ou favorecimento indevido de particulares nos processos envolvendo as duas empresas.

Também serão examinadas a privatização da Emae, a desestatização da Sabesp e a posterior aquisição do controle da Emae pela Sabesp. A apuração foi iniciada a partir de uma denúncia apresentada pelo deputado Antônio Donato (PT-SP), líder do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Donato afirma que o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, teria participado da estruturação e do financiamento de grupos interessados nas privatizações. A representação também cita o investidor Nelson Tanure, o empresário Carlos Piani, a Ambipar, a REAG gestora de fundos e a Trustee DTVM.

A Emae foi leiloada na Bovespa em 19 de abril de 2024. O Fundo Phoenix venceu a disputa pelas ações estaduais por aproximadamente R$ 1,04 bilhão, superando a proposta da EDF. Segundo a denúncia, o fundo havia sido constituído em 20/03/2024, menos de um mês antes do leilão, e tinha ações da Ambipar como principal lastro.

Donato também cita um parecer técnico da Superintendência de Registro de Emissores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Conforme o documento, o pagamento pela aquisição do controle da Emae foi viabilizado pelo Banco Master, por meio da Trustee, de Nelson Tanure e de Tércio Borlenghi Junior, fundador e controlador da Ambipar, com uma emissão privada de debêntures da Phoenix S.A.

Relação com a Sabesp

Na representação, o deputado relaciona a privatização da Sabesp à atuação de Carlos Piani, que presidiu o conselho de administração da Ambipar e também o da Equatorial. A Equatorial passou a controlar a Sabesp após a desestatização.

Piani assumiu a presidência da Sabesp em outubro de 2024 e permanece no cargo, conforme a denúncia. O documento também menciona que Karla Maciel Dolabella, que havia liderado a área de fusões e aquisições do Banco Master, foi eleita presidente da Emae após a privatização. Ela renunciou em dezembro de 2025 aos cargos de CEO e diretora de Pessoas e Sustentabilidade da empresa, alegando razões de foro pessoal.

A representação afirma ainda que a Sabesp adquiriu a Emae da XP Investimentos após uma sequência de operações envolvendo Nelson Tanure, o Banco Master e a própria XP. O deputado pede a investigação de possíveis crimes contra o mercado de capitais, contra o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro, organização criminosa e atos de improbidade administrativa.

Posicionamento da Sabesp

A Sabesp informou que o procedimento é preliminar e foi aberto para coletar esclarecimentos a partir de uma representação parlamentar. A empresa declarou que prestará as informações solicitadas pelo Ministério Público.

A companhia afirmou que a desestatização foi autorizada pelo Legislativo estadual, passou por consultas e audiências públicas e foi estruturada por meio de oferta pública registrada na CVM, com documentação apresentada à SEC, nos Estados Unidos. Também disse que as operações posteriores, incluindo a aquisição da Emae, foram aprovadas pelos órgãos competentes.

A Sabesp negou haver fundamento para associá-la ou associar seus administradores aos fatos investigados envolvendo o Banco Master e afirmou que fornecerá as informações necessárias às autoridades.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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