A Rússia defendeu a criação de assentos permanentes para Brasil e Índia no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A proposta foi apresentada pelo ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, que também pediu mais representação para países da Ásia, da África e da América Latina.
A Assembleia Geral da ONU termina nesta segunda-feira (28), após debates marcados por pedidos de reforma do Conselho de Segurança e pelo impasse envolvendo Estados Unidos e Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.
Avaliação sobre a posição russa
Em entrevista, a analista internacional Ana Prestes afirmou que a manifestação de Lavrov tem peso por vir de um dos cinco países que possuem poder de veto no Conselho de Segurança. Para ela, a inclusão do Brasil na proposta é relevante porque o aumento do número de cadeiras é uma demanda antiga do governo brasileiro.
“A Rússia é um dos cinco países membros do Conselho de Segurança da ONU que tem o poder de veto”, disse Prestes.
A analista também avaliou a atuação da China na Assembleia Geral. O país criticou ações do governo de Donald Trump no Oriente Médio, defendeu a soberania dos países do Golfo e pediu a suspensão do bloqueio econômico dos Estados Unidos a Cuba.
Segundo Prestes, a posição chinesa chamou atenção por incluir Cuba em declarações e conversas diplomáticas. Ela também citou o aumento das entregas chinesas ao país, com placas fotovoltaicas e alimentos, além da disposição de Pequim de tratar o tema com mais força durante a presença de Xi Jinping em Washington e da representação chinesa na ONU.
Impasse sobre o Estreito de Ormuz
Os Estados Unidos rejeitaram as condições apresentadas pelo Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz. Depois disso, Teerã afirmou que não pretende continuar negociando. Prestes avaliou que a guerra chegou a um impasse e que as declarações de Trump no discurso de abertura não contribuem para as conversas.
A analista afirmou ainda que a decisão norte-americana já afetou a economia mundial e relacionou o movimento à alta do preço do petróleo. Existe, dentro do Irã, a avaliação de que os Estados Unidos podem prolongar a situação até a eleição de meio de mandato prevista para novembro. Para Prestes, porém, Trump é ansioso ao tomar decisões e, no momento, o Irã tem maior controle sobre as tratativas relacionadas ao estreito.







