As suspeitas envolvendo Kassio Nunes e sua atuação como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passaram a ocupar o centro do debate sobre a condução das eleições de 2026. Mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um contrato de advocacia entre o Banco Master e pessoas próximas ao ministro estão sob investigação.
O contrato, no valor de R$ 427 milhões, envolvia o desembargador Newton Ramos e a advogada Camilla Ramos, identificados nas mensagens como integrantes da chamada “Turma do KN”. A Polícia Federal suspeita que o acordo buscava viabilizar medidas de interesse de Vorcaro nos tribunais superiores. Se fossem destravados R$ 8,5 bi em precatórios, o grupo receberia a remuneração prevista no contrato.
As mensagens também registram pedidos relacionados a uma hospedagem no Fasano e mencionam a contratação de uma prostituta para Kassio Nunes. O encontro teria ocorrido no apartamento de Fabiano Zettel, pastor da Igreja Lagoinha e apontado no texto como operador financeiro do grupo de Vorcaro.
Outro ponto citado é o patrimônio do filho do ministro. Em dois anos de carreira como advogado, ele teria acumulado R$ 27,7 milhões. As mensagens indicariam ainda pagamentos de R$ 500 mil por mês feitos por Vorcaro.
Decisões no TSE
No início de junho, Kassio Nunes proibiu uma pesquisa eleitoral da Atlas/Intel a pedido de Flávio Bolsonaro. O levantamento mostrava queda do senador nas intenções de voto.
Em outro caso, o ministro negou a retirada de um vídeo em que Flávio Bolsonaro acusava Lula de atuar como “defensor do PCC e do Comando Vermelho” e dizia que o presidente tinha feito “mais pelo crime do que pelo povo brasileiro”. A decisão foi derrubada pelo plenário do TSE por 5 a 2.
Nesta semana, Kassio Nunes também determinou que Lula retirasse do ar um vídeo sobre o caso Master. A medida foi apresentada como mais um episódio de favorecimento à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Uma apuração mencionada no texto afirma que pelo menos cinco ministros e técnicos do TSE identificaram alinhamento do ministro com a equipe jurídica do senador. Kassio Nunes, por sua vez, declarou impedimento ao julgar Alexandre de Moraes no caso Master. Ele afirmou não se sentir confortável para participar do julgamento como presidente do TSE porque a decisão poderia impactar o processo eleitoral de 2026.
As suspeitas sobre a relação entre o ministro, Vorcaro e aliados políticos ainda estão sendo investigadas. O texto defende que os indícios deveriam levar ao afastamento de Kassio Nunes do TSE e questiona a presença, à frente da Justiça Eleitoral, de um ministro indicado pelo grupo político associado à tentativa de golpe de Estado em 2023.








