Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Genomas e fósseis reconstroem a expansão dos morcegos pelo mundo

Pesquisa do projeto Bat1K combina dados genéticos e fósseis para explicar a origem, a evolução e a dispersão dos morcegos.

Genomas e fósseis reconstroem a expansão dos morcegos pelo mundo
Foto: Getty Images

A análise de um fóssil com 50 milhões de anos ajudou pesquisadores a concluir que os morcegos já tinham habilidades avançadas de voo e ecolocalização nesse período. O resultado faz parte de um estudo que também localizou na Europa a origem desses mamíferos, há 65 milhões de anos.

A ecolocalização é o sistema natural usado pelos morcegos para orientação e caça. O voo verdadeiro e essa capacidade teriam evoluído há cerca de 50 milhões de anos, antes do que se acreditava. A hipótese anterior dizia que essas características só haviam aparecido depois do início da diversificação dos morcegos modernos.

Dados genéticos e fósseis

Liderado pelo projeto internacional Bat1K, o trabalho reuniu informações de 103 genomas. Desse total, 41 foram montados especialmente para a pesquisa e 62 já estavam disponíveis. Os cientistas também analisaram 44 fósseis e incluíram representantes de todas as 21 famílias de morcegos reconhecidas.

Publicado na revista Nature nessa quarta-feira (23/9), o estudo contou com 137 cientistas e é descrito como o maior já realizado com DNA e fósseis desses animais. As análises usaram técnicas avançadas de sequenciamento genético e sistemas computacionais.

Antes do novo resultado, hipóteses apontavam origens asiáticas, africanas ou norte-americanas para os morcegos e estimavam que eles tivessem surgido há cerca de 50 milhões de anos. A pesquisa indica que, depois de aparecerem na Europa, os animais se espalharam pela África, Ásia, Américas e Austrália.

“Com a árvore genealógica certa, tudo mais sobre a evolução dos morcegos começa a se encaixar”, afirmou a coautora Sonja Vernes. Segundo os pesquisadores, o estudo também encontrou evidências de que os morcegos desenvolveram uma expectativa de vida maior que a de outros animais com tamanho corporal parecido e passaram a resistir melhor a doenças graves.

Os autores afirmam que os resultados podem servir de base para pesquisas futuras e orientar ações de conservação. Entre as funções dos morcegos estão a polinização de plantas, a dispersão de sementes e o controle de pragas.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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