Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

IA avança na matemática, mas solução de problema ainda aguarda validação

OpenAI diz ter resolvido a equação de Navier-Stokes, mas especialistas destacam que resultados criados por IA precisam ser revisados por humanos.

IA avança na matemática, mas solução de problema ainda aguarda validação

A inteligência artificial já participa de tarefas ligadas à matemática e pode, no futuro, assumir parte do trabalho realizado por profissionais da área. A avaliação ocorre após a OpenAI afirmar que resolveu a equação de Navier-Stokes, um dos “Problemas do Milênio”, conjunto de enigmas criados para desafiar matemáticos.

A equação questiona se o movimento de um fluido tridimensional pode sofrer uma ruptura. A afirmação da empresa, porém, ainda não foi confirmada pelo Clay Mathematics Institute, fundação responsável pela criação dos problemas. A proposição precisa ser analisada e validada pela comunidade científica.

Para Caio Costa, físico atômico e molecular e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), o episódio indica que a IA começa a participar da criação de teorias, além de atuar como tutora na resolução de questões conhecidas.

Verificação humana continua necessária

Hoje, a tecnologia funciona principalmente como apoio aos matemáticos. O trabalho humano envolve formular hipóteses, criar modelos, fazer cálculos, verificar os resultados e interpretar o que foi encontrado. Com a evolução da IA, a máquina poderá executar uma parcela maior desse percurso.

Paulo Orenstein, pesquisador do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), afirma que a ferramenta também desenvolve capacidade mais autônoma para resolver equações. Para ele, isso pode alterar a forma como a ciência exata é produzida.

A revisão humana permanece necessária porque a IA pode inventar informações para apresentar uma resposta. Rodrigo Barros, professor de ciência da computação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), afirma que um resultado novo só ganha importância quando matemáticos conseguem compreender e avaliar sua contribuição.

Possíveis impactos na pesquisa

Especialistas também apontam riscos para o ensino e a pesquisa. Erros durante a resolução de problemas podem levar à adaptação de métodos antigos e ao desenvolvimento de novas ideias. Se a IA entregar diretamente a resposta procurada, pode haver menos incentivo para investigar o que o estudo de um problema permite aprender.

Barros, apoiado pelo Instituto Serrapilheira, afirma que o receio é que a automatização reduza o interesse pela matemática e faça a profissão parecer sem função. Para ele, esse processo já está acontecendo.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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