Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Pheromone-maxxing viraliza, mas ciência não confirma feromônios humanos

Especialistas afirmam que odores podem influenciar relações, mas não há comprovação de substâncias capazes de aumentar a atração sexual.

Pheromone-maxxing viraliza, mas ciência não confirma feromônios humanos

Uma tendência chamada “pheromone-maxxing” viralizou no TikTok com a promessa de que não tomar banho nem usar perfume ou desodorante estimularia a produção de feromônios masculinos e aumentaria as chances de atrair parceiras. Até o momento, porém, não há evidências científicas suficientes de que seres humanos produzam ou respondam a feromônios sexuais como ocorre em outros animais.

O neurocientista Leandro Freitas Oliveira, professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), afirma que odores corporais podem influenciar respostas, mas isso não comprova a existência de feromônios humanos. “Seria importante identificar uma substância e demonstrar o efeito dela de uma maneira mais consistente”, disse.

A bióloga etóloga Marta Fischer, professora de ciências biológicas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), considera necessário ampliar os estudos para chegar a uma conclusão. Ela afirma que as pesquisas disponíveis apresentam resultados positivos, neutros e negativos e defende a possibilidade de que seres humanos tenham feromônios.

O papel do cheiro na atração

Feromônios são sinais químicos emitidos por animais da mesma espécie, capazes de provocar reações fisiológicas ou comportamentais em outros indivíduos. Já o odor natural humano resulta de uma combinação de fatores, como genética, higiene, dieta e ambiente.

Esse cheiro pode participar da comunicação entre pessoas e influenciar a atração, dependendo da preferência de quem está sendo conquistado. O psicólogo Yuri Busin, neurocientista do comportamento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, explica que a conquista também envolve comportamento, vínculo, aprendizado, contexto, aparência, personalidade e aspectos culturais.

Assim, um odor agradável ou um perfume pode contribuir para a percepção de alguém, mas não determina sozinho o desejo sexual ou a atração. O cheiro é apenas uma entre várias características envolvidas nessas situações.

Promessas de produtos

Perfumes e essências vendidos como produtos com feromônios prometem aumentar o desejo sexual por quem os utiliza. Os especialistas, no entanto, afirmam que não existe validação científica de que esses itens elevem a atração.

Para Oliveira, o olfato participa das relações humanas, mas as promessas de uma substância capaz de tornar alguém irresistível ultrapassam o que foi comprovado pela ciência. Busin acrescenta que um perfume agradável pode influenciar a percepção, mas não fará necessariamente alguém se interessar por outra pessoa. Uma exceção pode ocorrer quando há fetiche específico por cheiros.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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