A sonda Juice, da Agência Espacial Europeia (ESA), usou a gravidade da Terra para alterar sua rota em direção a Júpiter. A manobra, realizada nesta segunda-feira (28), mudou o caminho da espaçonave em cerca de 20 graus e elevou sua velocidade em aproximadamente 3,5 km/s, sem exigir grandes quantidades de combustível.
Durante a operação, a Juice passou a apenas 8.640 quilômetros da superfície terrestre, sobre o Oceano Índico. A aproximação foi calculada para que a sonda alcançasse o ponto adequado e aproveitasse a interação gravitacional com o planeta.
Como a assistência gravitacional funciona
A técnica permite modificar a velocidade e a direção de uma espaçonave sem depender apenas dos motores. Ao passar por um planeta em uma trajetória planejada, a sonda troca energia e momento com o corpo celeste e segue por uma nova rota.
No caso da Juice, o recurso reduz a necessidade de energia e combustível que seria exigida em uma viagem direta até Júpiter. A missão usa encontros sucessivos com corpos do Sistema Solar para construir gradualmente o caminho necessário, em vez de acelerar continuamente e depois gastar mais propelente para desacelerar ao chegar ao destino.
Nas quatro semanas anteriores ao sobrevoo, os operadores fizeram apenas um pequeno ajuste para posicionar a espaçonave. Angela Dietz, gerente de operações da Juice, afirmou que a manobra exigiu navegação ultraprecisa em tempo real, mas consumiu somente uma pequena quantidade do propelente reservado para o procedimento.
A viagem começou em abril de 2023, com o lançamento da Guiana Francesa. Desde então, a sonda passou pelo sistema Terra-Lua e por Vênus. O sobrevoo mais recente também prepara a Juice para sua última passagem pela Terra, prevista para janeiro de 2029. Esse encontro deverá colocá-la na trajetória para interceptar Júpiter em julho de 2031.
Instrumentos científicos foram testados
Além de ajustar a rota, a passagem próxima da Terra permitiu testar e calibrar os instrumentos científicos da Juice em um ambiente conhecido. Foi a terceira oportunidade desse tipo durante a missão. A primeira ocorreu na assistência gravitacional envolvendo a Lua e a Terra, em 2024; a segunda foi durante observações realizadas pela sonda em 2025.
Claire Vallat, cientista do projeto Juice e líder da iniciativa, explicou que a viagem até Júpiter oferece poucas oportunidades para validar os instrumentos em condições ambientais bem compreendidas. Os testes servem para verificar o funcionamento dos equipamentos, definir a melhor forma de operá-los e desenvolver ferramentas para analisar os dados.
Próximas etapas da missão
A Agência Espacial Europeia considera o sobrevoo da Terra relativamente simples diante das operações previstas nas proximidades das luas de Júpiter. Depois de chegar ao planeta, a Juice fará 35 sobrevoos de Ganimedes, Europa e Calisto. Os encontros serão usados para observações científicas e para ajustar progressivamente a trajetória.
A missão estudará Júpiter e suas grandes luas, consideradas alvos para a investigação de ambientes potencialmente habitáveis no Sistema Solar. Ganimedes terá atenção especial: após a sequência de sobrevoos, a sonda deverá entrar em órbita ao redor da lua, em uma etapa prevista para a década de 2030.
Antes disso, a Juice retornará à vizinhança da Terra em janeiro de 2029, na última assistência gravitacional terrestre prevista, antes de seguir para Júpiter em 2031.







