Piracicaba, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Ciência

Lasers do VLT criam estrelas artificiais para corrigir efeitos da atmosfera

Tecnologia usa feixes de laser na atmosfera para orientar espelhos e melhorar a nitidez das imagens captadas pelos telescópios.

Lasers do VLT criam estrelas artificiais para corrigir efeitos da atmosfera
Foto: Divulgação/A Berdeu/Eso

ATACAMA, Chile — Astrônomos do Observatório Europeu do Sul (ESO) usam lasers de alta potência no deserto do Atacama para criar estrelas artificiais na atmosfera terrestre. A técnica serve como referência para corrigir distorções causadas pelos gases do planeta e aprimorar as observações do cosmos.

O sistema é instalado no Telescópio Muito Grande (VLT). Os feixes produzem um ponto luminoso a cerca de 90 km de altitude, em uma camada da atmosfera rica em sódio. A energia dos lasers excita os átomos do elemento, que passam a emitir fótons. A luz gerada é captada pelos telescópios e funciona como uma estrela de referência quando não há uma estrela natural adequada na área observada.

Espelhos corrigem a turbulência da atmosfera

A luz de estrelas e galáxias atravessa a atmosfera antes de chegar aos detectores. Nesse caminho, os gases provocam distorções que podem deixar as imagens borradas. Para reduzir o problema, o VLT utiliza óptica adaptativa.

Depois de receber a luz, o espelho principal a direciona para um espelho menor, capaz de mudar rapidamente de forma. No VLT, materiais piezoelétricos permitem que essa deformação ocorra em alta velocidade, enquanto o componente permanece suspenso em um campo magnético.

A tecnologia dos lasers também foi modificada ao longo do tempo. Os equipamentos anteriores dependiam de corantes líquidos tóxicos e levavam dias para atingir estabilidade. Atualmente, os lasers podem ser ligados com um botão e permanecer fixos durante toda a noite.

Cada laser fornece 22 Watts de potência e tem um feixe com 30 centímetros de diâmetro. Essa potência é cerca de 4 mil vezes maior que a máxima de uma caneta laser. Um dos telescópios pode disparar quatro lasers simultaneamente.

Antu, Kueyen, Melipal e Yepun também podem operar os lasers ao mesmo tempo. Juntos, os quatro telescópios formam um sistema virtual com um campo de visão maior. O VLT já participou de observações que levaram à primeira imagem de um exoplaneta e do acompanhamento de estrelas que se movem ao redor do buraco negro no centro da Via Láctea.

A operação inclui um mecanismo de segurança para o tráfego aéreo. Se uma aeronave entrar no espaço aéreo próximo ao observatório, os feixes são desligados automaticamente.

Para Amelia Bayo, cientista de projetos do ESO, a atmosfera protege a Terra, mas prejudica a nitidez da luz que vem de estrelas e galáxias.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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