PARIS — O papa Leão XIV afirmou que o avanço da inteligência artificial precisa ser acompanhado por educação para o discernimento ético. Durante um discurso no Palácio do Eliseu, nesta sexta-feira (25), ele alertou que o desenvolvimento das máquinas pode reduzir o espaço da humanidade na vida cotidiana.
O pontífice disse que é urgente preparar as pessoas para os impactos da tecnologia. Na avaliação dele, a IA pode alterar profundamente a relação da sociedade com as máquinas e fazer com que elas condicionem cada vez mais as decisões e os hábitos do dia a dia.
“Se quisermos evitar perder nossa humanidade em meio a um ‘paraíso de máquinas’ que invade e condiciona nosso cotidiano, há uma necessidade urgente de educação em discernimento ético”, afirmou Leão XIV.
O papa também associou a reflexão sobre tecnologia a outras áreas da ciência. Ele citou a manipulação genética, a barriga de aluguel, o comércio de órgãos humanos e a possibilidade de planejar a própria morte como tendências que podem transformar atividades científicas em iniciativas orientadas pelo lucro.
Agenda na França
A inteligência artificial é um dos temas centrais da visita de quatro dias, mas Leão XIV também mantém compromissos em diferentes locais do país. Ele foi recebido pelo presidente Emmanuel Macron e por Brigitte no aeroporto de Paris-Orly.
A programação inclui uma cerimônia na Catedral de Notre-Dame restaurada, uma passagem pelo santuário de Lourdes, uma visita a Metz, na fronteira com a Alemanha, e um discurso para funcionários da Unesco, órgão da ONU voltado para cultura e educação. O papa também deve se reunir com sete vítimas francesas de abusos cometidos por membros do clero.
A Igreja francesa enfrenta debates sobre sua reputação após um relatório de 2021 registrar que cerca de 330 mil crianças sofreram abusos, ao longo de sete décadas, cometidos por integrantes do clero e líderes leigos católicos.
Durante o voo para Paris, Leão XIV declarou que pretendia levar uma mensagem de paz. Questionado sobre a tentativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impedir a entrada da CNN e de outros veículos na Casa Branca, ele reafirmou seu apoio à liberdade de imprensa.
A visita ocorre em meio a discussões na França sobre aborto, suicídio assistido e o papel da Igreja em uma sociedade marcada pela separação entre Estado e religião.







