Casas e apartamentos oferecem abrigo, água e restos de alimentos que favorecem a sobrevivência de insetos e pequenos animais. Baratas, formigas, moscas e mosquitos estão entre os mais comuns, mas o ambiente também pode atrair aranhas, lacraias e escorpiões, que são capazes de inocular veneno.
O biólogo Yuri Gagarin, professor do Sigma, afirma que a disponibilidade de alimento, abrigo e condições para reprodução ajuda a explicar a presença desses animais nos domicílios. Ralos, pias e outras áreas de acesso também podem facilitar a entrada, de acordo com o biólogo Sérgio Bocalini, especialista em entomologia urbana.
Para Bocalini, manter a casa limpa e organizada, além de vedar frestas, contribui para evitar a presença das pragas. Em algumas situações, ele afirma que pode ser necessário recorrer ao controle profissional com produtos químicos.
Mosquitos e animais peçonhentos
Os riscos variam conforme a espécie. Bocalini aponta os mosquitos, principalmente o Aedes aegypti, entre os animais que podem oferecer maior perigo à saúde.
Já os maiores riscos associados aos animais peçonhentos envolvem escorpiões, aranhas e lacraias. Dados do Instituto Butantan e do Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde indicam que os acidentes com escorpiões no Brasil cresceram de modo expressivo ao longo da última década. O texto relaciona o aumento nas cidades ao crescimento urbano acelerado e às mudanças no clima.
Gagarin cita ainda ocupações urbanas ligadas ao desmatamento, falta de saneamento básico em algumas regiões e causas sazonais entre os fatores associados às alterações nas taxas populacionais de escorpiões.
A presença frequente de baratas também deve ser observada. Como esses insetos se multiplicam rapidamente e procuram alimentos ativamente, podem indicar condições favoráveis à presença de outros animais. As baratas fazem parte da dieta dos escorpiões, e o aumento da população delas é apontado como um sinal de alerta.
Medidas sem inseticidas
O uso excessivo de sprays e venenos domésticos pode trazer riscos à saúde de moradores e animais de estimação. Esses produtos podem conter piretroides e organofosforados, substâncias com maior potencial de intoxicação. Cães e gatos também estão sujeitos aos riscos da exposição.
A prevenção pode começar com medidas simples:
- limpar os ambientes com frequência adequada e não deixar restos de comida expostos;
- retirar restos de obras, pilhas de madeira, caixas de papelão e outros detritos de quintais e garagens;
- instalar telas nas janelas;
- usar soleiras sob as portas de entrada;
- manter ralos vedados ou protegidos com grelhas de fechamento.
Para Gagarin, a limpeza regular, a ausência de resíduos acumulados e a vedação de ralos e portas ajudam a prevenir a presença desses animais sem a aplicação de inseticidas dentro de casa.







