Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Estudo relaciona formação do carbonado a rápida descida de carbono na Terra

Análises de amostras da Bahia indicam possível participação de material da superfície e de um antigo impacto na origem do diamante negro.

Estudo relaciona formação do carbonado a rápida descida de carbono na Terra
Foto: Demény et al., Gondwana Research, 2026; CC BY 4.0

O carbonado, um diamante negro e poroso encontrado no Brasil e na África Central, pode ter se formado após a descida rápida de material rico em carbono para o interior da Terra. A hipótese foi apresentada em um estudo publicado na revista Gondwana Research, com base na análise de amostras da Formação Tombador, na Chapada Diamantina, na Bahia.

Os pesquisadores Attila Demény, Péter Németh e colegas usaram raios X, microscopia eletrônica e análises da composição do carbono. O objetivo foi investigar a formação dessas pedras, que são compostas por vários pequenos cristais e têm uma estrutura com poros, diferente dos diamantes lapidados para joias.

Pistas sobre a origem

A composição do carbono foi uma das principais evidências. Em grande parte das amostras, a proporção entre as formas do elemento se aproxima da encontrada em carbono associado a organismos antigos. Isso não indica a presença de restos de seres vivos nos diamantes, mas sugere que parte do material pode ter vindo da superfície terrestre.

Um dos grãos analisados apresentou características intermediárias entre as observadas nos carbonados típicos e em diamantes formados em grandes profundidades. Esse resultado pode apontar para a participação de mais de uma fonte de carbono.

A preservação dos poros também sustenta a hipótese de uma descida rápida. O material da superfície teria alcançado o manto por subducção, processo em que uma placa tectônica mergulha sob outra e transporta rochas e sedimentos para o interior do planeta. Se permanecessem por muito tempo em condições extremas, os espaços internos dos diamantes poderiam ter desaparecido.

“A única maneira é a subducção, que precisa ter sido muito rápida; caso contrário, os poros dentro do diamante teriam sido eliminados”, afirmou Demény.

Brilho e possível impacto

As superfícies brilhantes dos carbonados já haviam sido comparadas à crosta derretida de meteoritos. No entanto, os cristais examinados não apresentaram marcas microscópicas de um impacto forte.

Algumas amostras tinham uma camada fina de anatase, mineral formado por dióxido de titânio. A análise indicou que ela já cobria os cristais quando a superfície foi modificada. A interpretação dos pesquisadores é que a anatase se formou primeiro. Depois, fluidos teriam dissolvido pequenas partes do mineral e do diamante, deixando o acabamento liso e brilhante.

O estudo considera que uma colisão antiga pode ter acelerado a subducção de sedimentos ricos em carbono. Demény afirmou que corpos extraterrestres com 100 a 200 quilômetros podem ter provocado esse processo. No manto, a pressão teria favorecido a formação dos diamantes; posteriormente, magma poderia ter levado fragmentos de volta à superfície.

Essa sequência ainda não foi comprovada por completo. Os pesquisadores não identificaram um impacto específico ligado aos carbonados nem encontraram uma inclusão mineral que demonstre definitivamente a passagem de material da superfície para o manto. A ordem dos eventos na superfície — a formação da anatase antes da alteração que produziu o brilho — é a conclusão mais direta do estudo.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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