Terça-feira, 8 de setembro de 2026
Ciência

Erupção do Krasheninnikov pode ter sido favorecida por pressão acumulada no magma

Pesquisadores avaliam que o terremoto de 30 de julho de 2025 desencadeou processos subterrâneos no vulcão russo.

Erupção do Krasheninnikov pode ter sido favorecida por pressão acumulada no magma
Foto: NASA Earth Observatory

O vulcão Krasheninnikov, na península de Kamchatka, na Rússia, pode ter entrado em erupção após uma sequência de mudanças subterrâneas associadas a um terremoto de magnitude 8,8. O tremor ocorreu em 30 de julho de 2025, na costa da região, e o vulcão liberou uma grande coluna de material alguns dias depois de 475 anos sem erupções.

A hipótese foi investigada por uma equipe liderada pelo vulcanologista James Hickey, da Universidade de Exeter, no Reino Unido. Os resultados foram apresentados em um preprint publicado no EarthArXiv, antes da revisão por pares.

Pressão formada ao longo do tempo

A equipe avalia que o terremoto não rompeu diretamente o reservatório de magma. O tremor prolongado pode ter favorecido a passagem de mais gases para bolhas já presentes no magma. Com o crescimento dessas bolhas e a formação de outras, a pressão no reservatório teria aumentado até desestabilizar o sistema.

Esse processo pode ter permitido que o magma avançasse para um dique — uma fratura quase vertical na crosta — e, posteriormente, alcançasse a superfície. Os pesquisadores estimaram que a intrusão envolveu cerca de 32 milhões de metros cúbicos de magma, alimentados por um reservatório situado aproximadamente 6 quilômetros abaixo da superfície.

O que foi observado antes da erupção

O Krasheninnikov não apresentava sinais evidentes de atividade próxima. Dados de radar obtidos por satélite durante nove anos não mostraram inchaço do solo, que poderia indicar acúmulo de magma. A superfície, ao contrário, afundava cerca de 4 milímetros por ano.

Também não havia registro de emissões de dióxido de enxofre pelo vulcão antes do terremoto, embora esse gás fosse identificado em outros vulcões de Kamchatka. Cerca de dois dias depois do tremor, porém, ocorreram 12 terremotos de aproximadamente magnitude 4 em cinco horas nas proximidades do Krasheninnikov. As imagens de satélite indicaram a abertura da fratura pelo magma.

Força do tremor e limites da hipótese

Os cálculos apontaram que as mudanças permanentes de tensão provocadas pelo terremoto ficaram entre 0,01 e 0,05 megapascals de tensão de Coulomb. Reservatórios de magma costumam ser considerados sujeitos a ruptura com sobrepressões de aproximadamente 1 a 10 megapascals.

A tensão transitória durante o tremor chegou a cerca de 1,0 ± 0,6 megapascals e poderia, em teoria, ter influenciado o vulcão. Ainda assim, a equipe não considera essa a explicação mais provável, principalmente porque a erupção não ocorreu imediatamente.

A modelagem indicou características de alto conteúdo de gases no magma. Para os pesquisadores, o Krasheninnikov poderia estar em um possível “estado crítico oculto”: parecia inativo na superfície, mas suas condições internas e tectônicas o deixavam suscetível a uma perturbação sísmica.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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