Piracicaba, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Resíduos no fundo do Atlântico Sul abrigam vida e ameaçam expedições

Expedição argentina identificou lixo a até 3.820 metros e observou animais associados a sacolas e equipamentos de pesca.

Resíduos no fundo do Atlântico Sul abrigam vida e ameaçam expedições

Sacolas e equipamentos de pesca encontrados no fundo do Cânion Submarino de Mar del Plata já serviam de suporte para organismos marinhos durante uma expedição científica. Uma estrela-do-mar estava presa a uma sacola plástica, enquanto vermes de mar profundo ocupavam um conjunto de cordas de pesca.

Os pesquisadores registraram 29 peças de lixo no leito oceânico, em profundidades de até 3.820 metros. O trabalho foi publicado na revista PLOS One e indica a presença de resíduos humanos em uma área remota do Atlântico Sul.

Robô encontrou resíduos durante a missão

A equipe realizou 17 mergulhos com o veículo operado remotamente ROV SuBastian entre julho e agosto de 2025. O equipamento também ajudou a documentar cerca de 40 espécies que podem ser novas para a ciência. Em dez mergulhos, foram identificados materiais de diferentes tipos.

Entre os resíduos estavam embalagens plásticas de macarrão instantâneo e de salsicha coreana, além de sacolas, copos e embalagens de alimentos. Também foram localizados itens ligados à pesca comercial, como cabos de náilon e linhas com anzóis.

Para o biólogo marinho Daniel Laurett, uma bota chamou atenção entre os objetos observados. “Para mim, a peça individual de lixo mais marcante foi uma única bota, caída no fundo do mar”, afirmou.

Resíduos podem interferir nas pesquisas

Em um dos mergulhos, uma corda de pesca surgiu diante do ROV. A equipe precisou interromper o deslocamento para evitar uma colisão, conforme relatou o biólogo marinho Diego Urteaga, pesquisador envolvido no estudo.

A pesca comercial é apontada pelos pesquisadores como a origem mais provável dos materiais, mas outras possibilidades também são consideradas. Correntes marinhas podem levar resíduos por grandes distâncias, e navios comerciais, embarcações recreativas e atividades em terra podem contribuir para esse transporte.

Além de oferecerem superfícies artificiais, os objetos podem favorecer o deslocamento de organismos para locais onde eles normalmente não viveriam. Os pesquisadores afirmam que os efeitos ecológicos desse processo ainda são pouco compreendidos.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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