Terça-feira, 8 de setembro de 2026
Ciência

Olhos e nadadeiras revelam como peixe-corvo se move no fundo do oceano

Imagens de três áreas próximas a Zhuhai mostram que o peixe usa raios das nadadeiras para andar de lado e para trás.

Olhos e nadadeiras revelam como peixe-corvo se move no fundo do oceano

Os grandes olhos do peixe-corvo-armado reagiram ao feixe de luz de um veículo de mergulho durante observações no fundo do Mar da China Meridional. O animal aparentemente não conseguia enxergar o equipamento quando ele se aproximava, mas movimentava os olhos ao ser iluminado. Para os pesquisadores, a reação indica que a espécie ainda tem alguma sensibilidade à luz.

O exemplar pertence à espécie Scalicus engyceros e foi registrado se deslocando para os lados e para trás sobre o sedimento. As filmagens foram feitas por equipes da Universidade Sun Yat-sen e do Laboratório de Ciência e Engenharia Marinha do Sul de Guangdong, durante expedições em três áreas próximas à costa de Zhuhai.

Estruturas que funcionam como apoio

O peixe faz parte de um grupo com raios peitorais livres, estruturas rígidas separadas da parte principal das nadadeiras. No caso do peixe-corvo-armado, esses raios servem de apoio para a locomoção no fundo do mar. As imagens registraram um deslocamento para trás que, segundo os pesquisadores, ainda não havia sido observado em outros peixes.

As nadadeiras peitorais, achatadas e arredondadas, ajudam no equilíbrio. Estruturas localizadas nas nadadeiras e na cauda permitem movimentos rápidos quando o animal se sente ameaçado. O estudo sobre o comportamento foi publicado em julho na revista Ocean-Land-Atmosphere Research.

A espécie foi descrita pela primeira vez pelo zoólogo Albert Günther, em 1872. Os registros atuais indicam que, além de caminhar lateralmente, ela também consegue andar para trás.

Outro traço do animal são os barbilhões, pequenas estruturas que se projetam do corpo e lembram um ancinho. Eles permitem explorar o sedimento em busca de alimento e podem ajudar o peixe a sondar possíveis presas ou cavar a superfície. De acordo com Han Tian, autor principal do estudo e pesquisador de doutorado na Universidade Sun Yat-sen, essa estrutura dificulta a locomoção, mas favorece a procura por comida.

Observações em ambiente natural

A aparência do peixe combina características associadas a um peixe e a um camarão, o que levou ao apelido de “híbrido de peixe e camarão”. Além de Scalicus engyceros, os cientistas encontraram dois outros peixes-corvos vivos em pontos diferentes do Mar da China Meridional: Paraheminodus murrayi e Peristedion liorhynchus.

Os pesquisadores levantaram a possibilidade de que ambientes distintos tenham favorecido adaptações específicas nessas espécies. Essa especialização local ocorre quando populações submetidas a condições particulares desenvolvem características que aumentam suas chances de sobrevivência naquele ambiente.

Os veículos de mergulho usados nas expedições permitiram acompanhar os animais em seu hábitat. Segundo Tian, esse tipo de observação acrescenta informações sobre o funcionamento das espécies que não podem ser identificadas apenas em exemplares preservados.

A equipe pretende estudar como os apêndices semelhantes a um rastelo, a locomoção e a busca por alimento evoluíram em conjunto. A investigação deve ajudar os cientistas a analisar a relação entre ambientes extremos e comportamentos pouco comuns em animais marinhos.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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