O avanço de regimes autoritários, a redução da liberdade de expressão e os ataques contra jornalistas colocam o jornalismo diante de desafios crescentes. O cenário ganha destaque com o Dia Mundial do Jornalismo, celebrado na segunda-feira (28), e envolve também a defesa da educação midiática e da sustentabilidade econômica do setor.
O Democracy Report 2026, do V-Dem Institute, aponta que 74% da população mundial vive em autocracias. As democracias reúnem 26% da população, enquanto apenas 7%, cerca de 600 milhões de pessoas, vivem em países classificados como democracias liberais. Desde 2000, 85 países passaram, em algum momento, por esse processo de declínio democrático.
Steven Levitsky e Daniel Ziblatt analisaram esse tipo de transformação em Como as Democracias Morrem. Segundo a abordagem dos autores, instituições podem ser enfraquecidas gradualmente dentro do próprio sistema democrático. Nesse processo, adversários e jornalistas podem ser tratados como inimigos, enquanto mecanismos criados para limitar o poder são usados para reduzir o contraditório.
A desinformação e a propaganda política também contribuem para desacreditar instituições, adversários e fontes independentes. O Digital News Report 2026, do Reuters Institute, registra que a confiança nas notícias caiu para 37% nos 48 mercados pesquisados. Além disso, 62% dos entrevistados afirmam estar preocupados com informações falsas ou enganosas na internet.
Liberdade de imprensa e cidadania
A liberdade de imprensa é apresentada como um direito dos cidadãos, e não apenas de jornalistas e veículos. Para formar opiniões próprias, a população precisa compreender como as informações são produzidas, identificar suas fontes, analisar interesses e separar fatos de opiniões.
O jornalismo também depende de recursos para se manter. A atividade exige profissionais, equipes, tempo e investimento, especialmente em investigações longas. Para as mulheres jornalistas, há ainda agressões direcionadas à condição de gênero, além dos ataques relacionados ao trabalho.
A mobilização em torno da data teve, no Brasil, adesão cerca de 60% maior do que em 2025. O movimento reúne entidades, organizações, universidades e veículos de diferentes formatos, plataformas, modelos de negócios e canais. A proposta é colocar na agenda do país a sustentabilidade do jornalismo e a educação midiática como caminhos para a formação de cidadãos críticos.







