Piracicaba, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Tecnologia

Novo instituto de tecnologia no RS terá bolsas integrais e foco em formação crítica em IA

Itec prevê iniciar graduação em ciência da computação em março de 2027, com seleção que considera trajetória dos candidatos.

Novo instituto de tecnologia no RS terá bolsas integrais e foco em formação crítica em IA
Foto: Arquivo pessoal

GRAVATAÍ (RS) — O uso de inteligência artificial para escrever códigos em poucos segundos não reduz a importância de aprender programação, segundo Leandro Villas, primeiro presidente do Itec. Para ele, a popularização dessas ferramentas aumenta a necessidade de uma formação sólida em matemática, lógica e pensamento crítico.

Ainda em desenvolvimento, o instituto terá proposta filantrópica e será voltado à formação em ciência da computação. O projeto tem semelhanças com iniciativas como ITA, IME e Impa Tech, que formam estudantes de alto potencial em ciência e tecnologia.

Villas deixou os cargos de professor titular e diretor do Instituto de Computação da Unicamp para participar da criação do Itec. A inteligência artificial estará presente em todo o curso, enquanto questões éticas serão trabalhadas desde o início.

“A IA utilizada de forma equivocada é prejudicial à formação do aluno de computação”, afirma Villas.

Curso, bolsas e estrutura

A graduação será oferecida em Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre. A primeira fase do campus tem previsão de entrega até o fim de 2026, e as aulas devem começar em março de 2027.

A seleção inicial terá 60 estudantes, todos com bolsas integrais. A instituição prevê abrir uma turma por ano e ampliar o número de ingressantes para até 120 alunos por turma nos anos seguintes. A capacidade total será de até 420 estudantes simultaneamente.

Além da bolsa, o projeto prevê residência no campus, alimentação, plano de saúde, notebooks e apoio socioemocional. A estrutura deverá contar com cerca de um professor para cada dez alunos, que também atuarão como mentores.

Processo seletivo

O processo de admissão não deverá considerar apenas notas e desempenho acadêmico. A trajetória dos candidatos será analisada em entrevistas e em uma redação sobre a história de vida. Também haverá um requisito mínimo de desempenho em matemática no Enem.

A proposta se relaciona à trajetória de Villas, que cresceu em Salmourão, no interior paulista, município com menos de 4.000 habitantes. Filho de pais com pouca escolarização, ele afirma que não conhecia universidades públicas nem programas de pós-graduação durante a juventude.

Depois de mais de 30 respostas negativas em processos seletivos para o mestrado, conseguiu uma oportunidade na UFSCar. Mais tarde, fez doutorado na UFMG e pós-doutorado na USP.

O instituto pretende buscar estudantes de diferentes regiões do Brasil e ampliar o acesso de jovens que possam ter talento para a computação, mas não tenham tido as mesmas oportunidades de formação. O projeto também prevê uma turma diversa e ações para ampliar a presença feminina no curso.

O Itec terá aporte de R$ 400 milhões dos fundadores ao longo de uma década. Segundo Villas, o instituto poderá testar metodologias pedagógicas e compartilhar com outras universidades os modelos que apresentarem resultados.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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