A Nvidia aprovou uma nova autorização de US$ 150 bilhões para recomprar ações, elevando para US$ 235 bilhões o saldo disponível no programa. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (28), enquanto a empresa amplia investimentos em empresas de tecnologia, infraestrutura de inteligência artificial (IA) e segurança de agentes autônomos.
O valor autorizado para recompras é apontado pela companhia e pelo mercado como o maior programa desse tipo já registrado nos Estados Unidos. A Nvidia informou que pretende usar o saldo até o ano fiscal de 2028, encerrado no fim de janeiro.
A nova medida foi tomada quatro meses depois de a empresa acrescentar US$ 80 bilhões ao programa. A recompra é uma forma de devolver recursos aos acionistas: ao retirar papéis de circulação, a operação reduz a quantidade de ações disponíveis e pode contribuir para a valorização dos títulos.
Jensen Huang, CEO da Nvidia, relacionou a decisão ao avanço da computação voltada à IA. “A Nvidia está crescendo impulsionada por uma mudança de plataforma que ocorre uma vez em uma geração em direção à IA e à computação acelerada”, afirmou.
Caixa cresce com chips para inteligência artificial
A Nvidia é a maior fabricante de processadores gráficos e de hardware especializado para data centers de IA. A procura por seus chips transformou os resultados da companhia em um dos principais indicadores da expansão desse mercado.
A empresa já ultrapassou US$ 5,4 trilhões em valor de mercado, tornando-se a companhia mais valiosa do mundo. As ações subiram mais de 4% nas negociações iniciais desta segunda-feira (28).
No trimestre encerrado em julho, a Nvidia registrou receita de US$ 96,2 bilhões, mais que o dobro do resultado anterior. Para o trimestre atual, a companhia projetou US$ 108 bilhões em receita, o que representaria alta de 90% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A geração de caixa também sustenta investimentos diretos no setor. Uma apresentação divulgada nesta segunda-feira informa que a carteira da Nvidia reúne 13 empresas públicas e 229 companhias privadas. A empresa disse que o retorno sobre os investimentos já feitos foi superior a três vezes o valor aplicado.
Entre os negócios estão companhias de computação em nuvem que compram chips da Nvidia e desenvolvedores de modelos de IA. A empresa também planeja distribuir o excesso de fluxo de caixa livre aos acionistas por meio de recompras e de um dividendo com crescimento gradual.
Financiamento amplia participação em data centers
A Nvidia passou a participar de operações destinadas a financiar projetos de infraestrutura de IA. No mês passado, a companhia anunciou um acordo com instituições de Wall Street para oferecer garantias parciais a financiamentos de até US$ 500 bilhões para data centers. A iniciativa busca facilitar o acesso dos clientes ao capital usado na compra de chips.
A empresa também concordou em apoiar financeiramente um projeto de data center da OpenAI em Ohio, nos Estados Unidos. Além disso, assinou contratos de aluguel de longo prazo para data centers que somam aproximadamente US$ 20 bilhões. De acordo com a Nvidia, esses contratos deverão ser posteriormente realocados para outras companhias.
O tamanho dessas operações voltou a provocar questionamentos sobre possíveis estruturas de financiamento circular, nas quais empresas do mesmo ecossistema ajudam a financiar umas às outras. A companhia afirma que esse suporte é necessário diante da velocidade de expansão do setor.
“A Nvidia é necessária para ajudar a impulsionar esse ciclo”, disse Colette Kress, diretora financeira da empresa, durante a divulgação dos resultados no fim de agosto.
Plataforma mira segurança de agentes de IA
Além da estratégia financeira, a Nvidia anunciou uma plataforma de software para testar e implementar agentes de IA em ambientes seguros. A Nvidia Open Agent Safety Platform inclui ferramentas de monitoramento contínuo do comportamento dos sistemas e recursos para definir regras de atuação.
O lançamento ocorre em meio às preocupações com agentes capazes de realizar tarefas de forma autônoma. Incidentes recentes associados a ataques e tentativas de invasão ampliaram o debate sobre limites e mecanismos de proteção para esse tipo de tecnologia.
Jensen Huang afirmou que a segurança é condição para ampliar os benefícios da inteligência artificial. A Nvidia também defende a liberdade para que desenvolvedores criem modelos de código aberto, que podem ser baixados e modificados. Esse ecossistema pode aumentar a demanda pelos chips da companhia.







