O uso de celulares foi restringido em 81% das escolas brasileiras frequentadas pelos estudantes avaliados no Pisa 2025. Em 2022, essa proporção era de 37%. O levantamento também identificou que 48% dos alunos usam chatbots de inteligência artificial para estudar.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou os resultados nesta terça-feira (8). Na média dos países da organização, a parcela de estudantes em escolas que não permitem celulares passou de 34% para 49% entre 2022 e 2025.
Entre os alunos brasileiros, estudar em instituições que proíbem os aparelhos esteve associado a uma probabilidade cerca de 13% menor de relatar distrações causadas por dispositivos digitais, considerando a média dos países da OCDE.
Distração e aprendizagem
Os estudantes do Brasil usam dispositivos digitais por 1,3 hora por dia, em média, para atividades de aprendizagem. Na OCDE, o tempo médio é de 1,7 hora. Para atividades que não estão relacionadas ao aprendizado, o uso chega a uma hora diária entre os brasileiros.
Durante as aulas de ciências, 25% dos estudantes disseram que os colegas frequentemente se distraem com dispositivos digitais na maioria ou em todas as aulas. Na OCDE, o índice foi de 28%. Entre os países da organização, os alunos que relatam esse tipo de distração têm, em média, 11 pontos a menos em ciências. No Brasil, a diferença chega a 19 pontos.
Bullying e violência digital
O Pisa 2025 registrou que 17% dos estudantes brasileiros de 15 anos sofreram alguma forma de bullying algumas vezes por mês ou com maior frequência. A média da OCDE foi de 20%. No Brasil, o resultado não mudou de forma significativa entre 2022 e 2025, enquanto a ocorrência aumentou na maioria dos países e economias participantes.
No ambiente digital, 3% dos estudantes brasileiros disseram que informações incômodas ou prejudiciais foram publicadas sobre eles na internet, sem consentimento, algumas vezes por mês ou mais nos 12 meses anteriores à aplicação do Pisa. O índice foi igual ao da média da OCDE.
A avaliação também apontou desempenho dos estudantes brasileiros abaixo da média da OCDE em ciências, matemática e leitura. Os resultados reuniram dados sobre bullying, cyberbullying e uso de tecnologia no ambiente escolar.







