Terça-feira, 8 de setembro de 2026
Brasil

A prática por trás dos conselhos, segundo Brené Brown

A pesquisadora afirma que comportamentos ensinados só ganham força quando aparecem nas ações de quem orienta.

A prática por trás dos conselhos, segundo Brené Brown

Conselhos perdem credibilidade quando a conduta de quem fala contradiz a mensagem transmitida. Para Brené Brown, conhecimento e intenção não substituem a prática: as pessoas aprendem principalmente pelo comportamento que observam.

Em A coragem de ser imperfeito, edição brasileira de Daring Greatly, a autora resume essa ideia com a frase: “Não podemos dar às pessoas o que não temos”. O trecho apresenta o conceito de lacuna de valores, definido como a distância entre aquilo que uma pessoa ou organização declara valorizar e o que realmente pratica.

A pesquisa por trás da ideia

Brené Brown é professora pesquisadora da Universidade de Houston, no College of Social Work. Seu trabalho é voltado ao estudo qualitativo da vergonha, da vulnerabilidade e da coragem, com base em milhares de entrevistas realizadas ao longo de mais de uma década.

Ela ganhou projeção entre o grande público em 2010, quando fez a palestra The Power of Vulnerability, uma das mais assistidas da história do TED. Em Daring Greatly, de 2012, organizou essa pesquisa. No Brasil, o livro foi publicado pela Sextante com o título A coragem de ser imperfeito.

A frase, portanto, é apresentada como uma conclusão de pesquisa, e não como uma opinião baseada apenas na experiência pessoal da autora. O foco está na diferença entre saber como alguém deveria agir e conseguir demonstrar esse comportamento.

Como a lacuna aparece

A contradição pode surgir em diferentes relações. Uma organização pode afirmar que valoriza a transparência e punir quem apresenta uma notícia ruim. Um pai pode falar sobre autoestima enquanto critica o próprio corpo diante do filho. Um gestor pode cobrar limites de horário e enviar mensagens no domingo.

Também há casos em que uma empresa diz aceitar erros, mas procura culpados quando eles acontecem. Em situações assim, a prática se sobrepõe ao discurso. O que chega às pessoas é a atitude observada, enquanto a mensagem declarada perde força.

O mesmo princípio vale para o ensino de coragem e para a relação com os erros. Segundo Brown, não basta falar sobre determinado comportamento: é preciso ter alguma experiência de praticá-lo. O conhecimento não ocupa o lugar da ação.

Imperfeição não impede o aprendizado

A proposta não exige que alguém tenha resolvido a própria vida antes de orientar outra pessoa. Brown chama atenção para o espaço entre a situação atual e aquilo que se pretende alcançar. Essa distância, a lacuna, não precisa ser escondida; ela é o local em que o trabalho de mudança acontece.

O problema está em fingir que a lacuna não existe. Quem reconhece que ainda está aprendendo pode ensinar melhor do que quem se apresenta como alguém que já alcançou o resultado. Nesse sentido, o título brasileiro do livro reforça a ideia de que a coragem não depende de ser exemplar ou perfeito.

A passagem está em Daring Greatly (2012), no trecho dedicado à lacuna de valores, e é uma das mais citadas da obra. A edição brasileira tem o título A coragem de ser imperfeito, enquanto The Gifts of Imperfection corresponde a outro livro de Brené Brown.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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