Um estudo publicado em 9 de setembro na revista científica PLOS One indicou que elefantes asiáticos conseguem controlar impulsos e mudar de estratégia quando uma resposta deixa de funcionar. A pesquisa analisou o chamado controle inibitório, habilidade relacionada ao autocontrole, à tomada de decisões e à adaptação do comportamento.
Os experimentos envolveram 16 elefantes — oito machos e oito fêmeas, com idades entre 4 e 60 anos — no National Elephant Institute, na Tailândia. As atividades foram realizadas entre agosto de 2023 e janeiro de 2024.
Teste com alimento
Os pesquisadores ensinaram os animais a contornar com a tromba uma caixa opaca para alcançar uma fruta colocada dentro dela. Depois, substituíram o objeto por uma caixa transparente, que permitia aos elefantes ver e sentir o cheiro do alimento por pequenos orifícios na parte da frente.
A fruta, porém, não podia ser retirada diretamente pela abertura frontal. Para obter a recompensa, os animais precisavam evitar o avanço direto em direção à comida e levar a tromba até a abertura usada no desvio aprendido anteriormente.
O desempenho foi semelhante diante das caixas opaca e transparente. Para os pesquisadores, o resultado pode indicar uma capacidade de conter o impulso de seguir diretamente até o alimento, mesmo quando ele estava visível e perceptível pelo cheiro.
Em outra etapa, a abertura da caixa foi deslocada entre quatro posições: para cima, para baixo, à esquerda ou à direita. Com a mudança, os elefantes tiveram de abandonar a rota anterior e buscar uma nova maneira de alcançar a fruta.
Na primeira tentativa após a alteração, os animais demoraram mais para encontrar a abertura. O tempo médio passou de 2,21 para 8,18 segundos. Nas tentativas seguintes com a mesma posição, eles ficaram progressivamente mais rápidos, sinal de que conseguiam aprender a nova rota e ajustar o comportamento.
Influência da idade
A idade também apareceu associada ao desempenho. Os elefantes mais velhos demoraram mais para modificar uma estratégia já aprendida. Essa relação permaneceu depois que os pesquisadores consideraram diferenças individuais na velocidade dos movimentos da tromba.
Os autores afirmam que esse resultado pode indicar redução do controle inibitório com o envelhecimento, mas ressaltam que a hipótese precisa ser investigada em outros trabalhos. Eles também observam que testes de desvio podem envolver aprendizagem, motivação, personalidade e experiências anteriores, além do autocontrole.
Ainda assim, os resultados estão entre as primeiras evidências de controle inibitório em elefantes asiáticos e ampliam o conhecimento sobre como a espécie modifica comportamentos diante de novos obstáculos.







