Piracicaba, Quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Ciência

Liga metálica inédita é encontrada em partículas da explosão de Hiroshima

Pesquisadores identificaram uma estrutura cristalina desconhecida em um grão microscópico formado após a explosão atômica.

Liga metálica inédita é encontrada em partículas da explosão de Hiroshima

Pesquisadores identificaram uma liga metálica que não corresponde a nenhuma liga industrial conhecida em uma partícula formada após a explosão da bomba atômica sobre a cidade, em 6 de agosto de 1945. O material foi encontrado em uma hiroshimaite, partícula criada quando metais, vidro, solo e componentes de construções foram vaporizados, misturados e resfriados rapidamente.

A equipe liderada pelo geólogo Luca Bindi, da Universidade de Florença, examinou 34 amostras em busca de fases metálicas incomuns. As partículas preservam características físicas das condições extremas do evento, que produziu temperaturas superiores a 7.000 °C.

Grão microscópico tem composição incomum

A análise revelou vários fragmentos de uma liga rica em ferro e cromo. Um deles, com cerca de 10 micrômetros, tinha uma quantidade de silício muito maior que a observada nas partículas metálicas próximas. Sua composição incluía principalmente ferro, além de cromo, silício, níquel, molibdênio, manganês e alumínio.

Para estudar a estrutura do material, os pesquisadores retiraram quatro grãos da amostra com pequenas agulhas. Em seguida, usaram difração de raios X de cristal único para verificar a organização dos átomos.

Três grãos analisados como comparação apresentaram uma estrutura cúbica de corpo centrado, característica esperada para o aço comum. Já o fragmento rico em silício tinha uma estrutura cúbica mais complexa e ordenada, do tipo AlAu₄, derivada da estrutura do beta-manganês.

A combinação entre a composição química e a organização cristalina não havia sido associada a ligas industriais conhecidas nem a produtos de explosões identificados anteriormente. Os pesquisadores avaliam que a liga se formou quando o material vaporizado se condensou e esfriou em velocidade extremamente alta. Esse processo pode ter preservado uma configuração mais complexa antes de os átomos atingirem uma forma mais estável.

A descoberta também indica que resíduos de explosões nucleares podem conter outras fases metálicas raras e instáveis. Como algumas estruturas têm apenas alguns micrômetros, elas podem não ser percebidas mesmo em análises detalhadas. Os pesquisadores ressaltam que as amostras vieram da destruição causada pela bomba atômica e que o estudo deve considerar o sofrimento humano ligado à sua origem.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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