Terça-feira, 8 de setembro de 2026
Educação

Rótulos do ensino médio podem influenciar vínculos e escolhas na vida adulta

Pesquisas associam experiências de popularidade, rejeição e status na adolescência a relacionamentos, saúde e satisfação com a vida.

Rótulos do ensino médio podem influenciar vínculos e escolhas na vida adulta
Foto: Emmanuel Lafont/BBC

Experiências de rejeição, popularidade e status vividas na adolescência podem continuar influenciando a forma como as pessoas interpretam situações sociais, constroem relacionamentos e avaliam a própria vida muitos anos depois da escola. Pesquisas citadas por Mitch Prinstein, professor de psicologia da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, indicam que essas marcas também podem se relacionar à saúde e ao desempenho acadêmico e profissional.

A força dessas lembranças aparece até na memória dos nomes. Depois de conversar com centenas de pessoas sobre o ensino médio, Prinstein observou que muitos ainda se lembram facilmente do aluno mais popular da turma, às vezes com mais facilidade do que dos professores e de outros colegas. A análise foi apresentada no livro Popular: The Power of Likability in a Status-Obsessed World, publicado em 2017.

Cinco formas de ocupar um grupo

O psicólogo John Coie ajudou a mudar a forma como os pesquisadores estudavam a posição social entre estudantes. Em pesquisas realizadas no início dos anos 1980, crianças respondiam de quem gostavam mais e de quem gostavam menos entre seus colegas.

A partir dessas respostas, Coie identificou cinco categorias: aceitas, rejeitadas, controversas, negligenciadas e medianas. As aceitas eram amplamente queridas; as rejeitadas recebiam muitas avaliações negativas; as controversas eram muito lembradas tanto positiva quanto negativamente; as negligenciadas quase não apareciam nas respostas; e as medianas não se destacavam em nenhuma direção.

Estudos posteriores indicaram que cerca de 40% das crianças eram classificadas como medianas, enquanto 60% se encaixavam em uma das outras categorias. Também foi observado que os rótulos podiam persistir mesmo quando os estudantes entravam em novos grupos. Em uma das pesquisas, cerca de metade manteve, cinco anos depois, no ensino médio, a classificação recebida no ensino fundamental.

As crianças mais queridas costumavam ser vistas como gentis, incentivadoras e solidárias. Já as rejeitadas podiam ser agressivas e praticar bullying ou, ao contrário, demonstrar pouca assertividade, ansiedade social e sofrer bullying. As controversas, grupo mais raro, eram associadas a comportamentos rebeldes ou de palhaço da turma.

Popularidade e status não são a mesma coisa

A dinâmica muda conforme os estudantes avançam na escola. No ensino fundamental, a popularidade costuma estar mais ligada a ser querido e a seguir comportamentos valorizados pelos adultos. No ensino médio, alunos rebeldes, divisivos ou que adotam comportamentos associados a pessoas mais velhas podem ganhar status.

Entre esses comportamentos estão o consumo de álcool, o uso de drogas e o envolvimento precoce em relações românticas. Eles podem aumentar a popularidade por algum tempo, mas deixam de conferir o mesmo status por volta dos 15 anos. Com a maturidade, a simpatia volta a ter mais importância na posição social.

Prinstein diferencia ser querido de ter alto status: a aceitação tende a se associar a resultados positivos na saúde, no trabalho, na vida acadêmica e na saúde psicológica. O status, por sua vez, pode estar ligado a efeitos opostos.

A popularidade também não significa necessariamente ser apreciado. Georgia, uma das pessoas entrevistadas, dizia não se considerar popular, mas sim alguém barulhenta e disposta a chamar atenção. Ela ocupava o papel de uma adolescente controversa, admirada por alguns e rejeitada por outros.

Panelinhas deixam de ser tão rígidas

A cultura escolar não funciona apenas como uma versão menor da sociedade adulta. A partir da década de 1960, pesquisadores passaram a tratar os grupos do ensino médio como um sistema próprio, formado por panelinhas, códigos e classificações.

No começo dessa etapa, as fronteiras entre grupos tendem a ser rígidas. Um estudo de 1985 apontou que cerca de 45% dos alunos se definiam simplesmente como normais, sem se identificar com uma subcultura específica. Outros tentavam se aproximar de grupos de estudantes populares, nerds, músicos ou considerados legais.

O pesquisador David Kinney observou, no início dos anos 1990, mudanças nessas fronteiras. Antigos nerds conseguiam se aproximar dos chamados normais, enquanto estudantes de aparência extravagante e comportamento turbulento desafiavam grupos que antes dominavam a escola.

Com o desenvolvimento cognitivo, adolescentes podem se sentir menos presos à necessidade de se encaixar e buscar colegas que ofereçam retorno positivo. Por isso, a hierarquia tende a perder parte da rigidez perto do fim do ensino médio.

Modelos sociais continuam ativos

Para Lucy Foulkes, psicóloga da Universidade de Oxford, as relações de poder social observadas na adolescência também aparecem em ambientes adultos, como o trabalho e os grupos de mães na entrada da escola. A diferença é que, no ensino médio, os jovens convivem quase todos os dias com as mesmas pessoas durante anos.

Essa intensidade ajuda a explicar por que experiências da adolescência podem continuar sendo usadas como referência. Prinstein afirma: "Essas lembranças estão sendo trazidas de volta o tempo todo."

Segundo ele, os modelos mentais formados na infância ajudam a processar situações sociais. Ao entrar em um novo contexto, uma pessoa pode buscar informações que confirmem suas piores expectativas e agir de modo a favorecer experiências negativas. Rever essas interpretações — por exemplo, considerar que um comentário ambíguo talvez não tenha sido uma ofensa — pode abrir espaço para interações mais positivas.

Efeitos na vida adulta

Um estudo de 2015 acompanhou 184 adolescentes do sudeste dos Estados Unidos dos 13 aos 23 anos. Os resultados associaram a obsessão precoce por status e os comportamentos pseudomaduros a dificuldades posteriores em relacionamentos próximos e a comportamentos criminosos.

A iniciação precoce ao álcool e às drogas apareceu relacionada a maior vulnerabilidade ao abuso de substâncias e a problemas de dependência mais tarde. O foco no status também esteve ligado a vínculos mais superficiais e a dificuldades para manter amizades e relacionamentos amorosos.

A rejeição pode produzir outro tipo de efeito. Pesquisas de Prinstein indicaram que estudantes rejeitados no ensino médio tinham maior probabilidade de se tornar mais deprimidos com o passar do tempo. A hipótese é que a rejeição aumente o isolamento, que por sua vez intensifica a sensação de rejeição.

Ser aceito, porém, não é uma condição obrigatória para ter uma vida social satisfatória na idade adulta. Estudos indicam que até mesmo um ou dois bons amigos na adolescência podem proteger e fortalecer relacionamentos futuros. Pessoas rejeitadas também podem desenvolver maior capacidade de perceber o que os outros sentem e identificar situações de maus-tratos, habilidades úteis na vida pessoal e no trabalho.

Os rótulos escolares, portanto, não determinam necessariamente o futuro. Experiências difíceis podem influenciar trajetórias, mas os padrões sociais aprendidos na adolescência podem ser revistos e modificados ao longo da vida.

Texto produzido pela Redação Aprende em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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