Reservar alguns minutos para jogos de raciocínio pode ajudar a manter a mente ativa, mas a prática não funciona como uma solução geral para a memória. Esses exercícios estimulam funções cognitivas específicas, como atenção, lógica, planejamento e tomada de decisões.
O neurologista Sérgio Jordy, da Rede D’Or e diretor do Centro Médico Sinapse, afirma que não há uma duração única adequada para todas as pessoas. “Não existe uma dose universal, mas a orientação geral é praticar de 20 a 30 minutos, de três a cinco vezes por semana”, diz.
Como o cérebro reage
Durante um jogo de lógica, o esforço pode estimular a liberação de dopamina, relacionada à motivação, e acetilcolina, associada ao foco e à atenção. A atividade também favorece a produção de BDNF, proteína ligada ao nascimento e ao fortalecimento de conexões entre os neurônios.
Jordy ressalta que os jogos não treinam o cérebro inteiro. O efeito se concentra nas áreas exigidas pela tarefa. Exames de imagem podem identificar pequenas mudanças na estrutura cerebral de pessoas que praticam exercícios mentais, incluindo alterações na substância cinzenta e nas conexões entre regiões.
Uma pesquisa publicada no Journal of Pharmacy and Bioallied Sciences apontou aumentos mensuráveis no volume da matéria cinzenta e na espessura cortical após jogos de raciocínio. O esforço mental focado ativa áreas relacionadas à atenção, à lógica e à tomada de decisões.
Para que o estímulo seja aproveitado, o desafio precisa exigir esforço sem se tornar inacessível. Níveis muito difíceis podem provocar frustração e aumentar o estresse. Por isso, sessões curtas e frequentes são mais adequadas do que períodos exaustivos de prática concentrados no fim de semana.
Como aproveitar melhor a prática
Quando uma fase fica fácil demais, a atividade pode se tornar mecânica. A recomendação é buscar desafios novos e aumentar a complexidade aos poucos. Alternar modalidades também ajuda a envolver diferentes redes neurais, como jogos com números, atividades espaciais e tarefas estratégicas.
Um estudo da Translational Neuroscience que monitorou a atividade cerebral durante partidas de Sudoku identificou trabalho intenso do córtex pré-frontal, região ligada à formulação de regras lógicas e a decisões rápidas. Em jogos de cartas como Paciência, a exigência se desloca para o planejamento e a memória de trabalho.
A atenção deve permanecer concentrada na partida. Dividir o foco com a televisão ou com mensagens no celular fragmenta a concentração e dificulta a fixação de informações e o fortalecimento das conexões neurais.
“Esses jogos devem estar sempre acompanhados de atividade física, interação social, sono adequado e controle da saúde geral”, conclui Jordy.







